sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012
Olhos de Exílio
Por que teus olhos me procuram?
se já estou dentro deles
sou a loba olfativa
correndo estradas encantadas
sentindo o cheiro de teus cabelos
em noites enluaradas
Sonha-me de formas diferentes
cavalo solto, sem domação
talvez centauro, de crinas longas
infinito que não se embarca
laços profundos sem comunhão
Por que teus olhos me procuram?
se já estou dentro deles
temes ouvir a voz da razão
vindo de um iluminismo inseguro
onde teus olhos de distração
deixaram o biológico, ser o escuro
Quando me vês livre, o que pensas?
pássaro do chão ou do ar
asas abrindo em leque
de cores infinitas e leves
é assim que me imaginas ou
seria um peixe escorregadio
caindo de teu vazio
Por que teus olhos me procuram?
se já estou dentro deles
nas cores do amanhecer
alvorada furta-cor
a escorrer tudo que invade
onde desejas o renascer
de mitológicas vontades
E na imensidão livre dos sonhos
que entoas na canção de despedida
caminhemos pela linha do mar
antes de varrermos o próprio exílio
e assim poderíamos ser
Terra avistada da Lua
Através dos fios da vida
vais me tecendo
entre sonho e realidade
teus olhos já não me veem
vestida de claridade
e mesmo que seja tarde
descubro, que teus olhos tem vontades
Adriane Lima
Arte by Marina Podgaevskaya
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
Frágil Marfim
Relicário adornado
entre flores e promessas
incensos e rezas
que me pus a entoar
Fui diluindo-me nos dias
que fiquei a esperar
praguejei todos os santos
que coloquei em um altar
Estática, por ele agora passo
onde atropelo os espaços
entre minha fé e o lutar
Vã amorosidade
envolta em saudade
brotando salinidade
todos os dias em meu olhar
Vulnerável me sinto
frágil,como todo ser que ama
e em minha natureza sensível
vou buscando o indizível
para conseguir te profanar
Cheguei no âmago da alma
e entrei sem hesitar
tua boca labirinto
me fez acreditar
palavras,sonhos de amar
E se até as pedras se desfazem
não é impossível que o amor que me invade
não tenha como se acabar
Entre todas as coisas provisórias
entre os dois polos da terra
habitamos céu e mar
Mas, quando me vejo
em teus olhos
renasço em meus escombros
e de novo creio que o amor
é possível, em nosso caminhar
Adriane Lima
Arte by Robert Doesburg
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