segunda-feira, 16 de março de 2015

Flor estagnada


 
 
Dentro de meus olhos
nuvens embaçam visão
pareço outra
deitada ao chão
 
há delicadeza no silêncio
quebrado pelo motor de
um cortador de grama
 
minhas palavras
buscam ausência
e permanência de mãos
que não existem
 
meu corpo pulsa
herda o peso dos gerânios
pende-se entre
o sobressalto
e a imobilidade
 
balançam em mim
sonhos que tive de amor
e esse cheiro de paixão
colado há dias em meu corpo
 
 
 
 
 
 
 
Adriane Lima
 
 
 
 
 
 
Arte by  Christiane Vleugeus

terça-feira, 10 de março de 2015

Devolva o lado de dentro de meu céu



Uma sensibilidade de alcova
com cor de nuvens
de auroras boreais
olho que tudo vê
perto do sol
que já são dois
Apolo, Zeus
destruição
rastros compostos
de bário, de bório
de presunção
gongorra de homens
sem dores, sem cosmos
sem religião
Nibiru, Napalm
silêncio e observação
desenhos de rastros
anjos da guarda
proféticos tons
lilases, laranjas
teoria da conspiração?
sob um céu de poeta
que ouvirá um pássaro
em plena distração








Adriane Lima






Arte by Dorina Costras 

domingo, 8 de março de 2015

Mergulhada em serenidade




A menina olhava a lua
parecia sonhar
nela procurava São Jorge
procurava o dragão
procurava o formato de um coelho


diziam ser esse o símbolo
para quem estivesse apaixonada


a menina não viu nada

o encontro de sua alma
com a beleza
parecia dar a ela a certeza
da lua e suas fases


as formas, a luz e a harmonia
entre seu olhar e a poesia
estavam destinados a ser livres


o formato existe nas coisas comuns
e familiares e podem emergir
aos olhos de quem contempla o mundo


nada se opõe, tudo nos envolve
e na claridade da beleza
sem limites do mundo


feliz estava a menina
provando em seus olhos
os milagres do amor







Adriane Lima






Arte by Dorina Costras 
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