quarta-feira, 26 de agosto de 2015

De amor e de aprender



O pior tipo de amor
é o que foi confirmado
depois de autopsiado
e dizem: está morto
só que ainda teima em viver


o pior tipo de amor
é o que foi negado em voz alta
depois de sentenciado
dizem que mesmo calado
ainda teima em gritar


não há piedade no amor
tudo o que é intenso nos fere
há piedade no espírito
tudo que é dor um dia passa


sobram lembranças e cinzas
jogadas ao rio do esquecimento
e é assim que deve ser


sem embriaguez póstuma
nem justificativas ensaiadas
apenas o incômodo
de não mais, nos pertencer






Adriane Lima









Arte by  Bryan Huynt

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

A música da insistência

 
 
Ensaiamos passos
ansiamos laços
e tudo ficou no lugar
 
em minhas metafóricas
histórias (extra)ordinárias
vindas de um cansaço
que nem sei mais explicar
 
há um vento eterno
um furacão interno
pronto a estourar
 
há um grito na memória
de uma velha e insensata história
da qual não posso me livrar
 
Haverá um acerto de contas
no sussurro das borboletas
no grito das cigarras
no vai e vem das ondas do mar?
 
 
 
 
 
Adriane Lima
 
 
 
 
 
 
 
 
Arte by Ravshaniya 

Um degrau de aconchego

 
 
Sinto-me presa a um corpo
visto por olhos de concretudes
sinto-me presa à uma alma
vista por olhos de solitudes
 
eterno embate da vida
que não anteveem os perigos
no olhar
 
conto nas rugas longos risos
conto nos poros loucas peles
 
desejo tudo o que me despe
fujo das vontades inóspitas
abomino o jogo de palavras
conheço a febre que me move
 
existe um rumor
de coisas frágeis
quando se quebram
 
existe um segredo
das coisas fortes
quando se morre
 
e em nenhum deles
eu sinto medo
 
 
 
 
 Adriane Lima
 
 
 
 
 
 
Arte by  Pascal Chove
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