sexta-feira, 4 de maio de 2012

A minha dor



                           (Dedicado ao meu filho que foi morar em Berlim )


Será a dor universal
na dor todo mundo é igual ?
não sei dizer, afinal

tem dores que só uma mãe sente
dar vida,criar,educar,amar e amar
aumentar espaços,romper cansaços
e saber que os filhos vão voar

tem dores que são feito pétalas
sentidas uma a uma
arrancadas e expostas no olhar

dores de partida
dores que a vida ensina, devagar
dores que não rimam com nada
e não tem abraços para confortar

dores que doem fundo
punhal silencioso
calar do mundo
dores da separação
dores da solidão que vai ficar

dores de quem está vivo
mesmo que haja uma vida pela frente
dores que em mim você vai deixar



Adriane Lima  






Arte by Tomas Dodd

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Olhos Feridos

                             (Para minha filha)

Eu queria te dar olhos para veres só o que é belo
olhos de quem vê flores lilás através dos muros
vitória-régia em correntezas de chuva
pássaros multi cores em liberdade

Mas a vida anda tão escura
embaraçando visão de estrelas
já não te aponto a via láctea
que te mostrei quando pequena

Suavidade de fim de tarde
sabores de frutas adocicadas
lembranças boas e novidades
ficaram só entre as certezas

O tempo passa e a gente sabe
que essa visão já se despede 
e a criança que via cores
já se contenta com a quimera

Casas fechadas,cercas elétricas
meninos livres correm nas ruas
o pensamento vai junto ao olho
de quem os observa em molduras

Eu queria te dar olhos de novas eras
casas abertas feito os meus braços
 
No fim do dia à tua espera ...






Adriane Lima



Arte by :  Jean Claude Desplanques

Minhas esperas por ti




O presente invadiu a sala
o quarto,as paredes que

tanto me ouviram
falar em você
Hoje sabem do vazio

Vazio dos teus e meus dias
Vazio de sonhos e fantasias
Vazio das culpas que nunca teremos

Mas tua voz há de ficar para sempre
Cantando canções de amor
O eco ressoará facilmente
Só o anoitecer chegar
e com ele a lua me visitar

Todas as palavras soltas no ar
as promessas todas vazias
de mim de ti,de tudo que era nosso

Até das mentiras eu me recomponho
E acho até que te perdoo
Por todos as promessas de amor
que trocamos em nostalgia

Todas as esperas,entre meus dias
Não são mais agonias, nem amarguras
São curas, pensamentos alados
Pássaros de asas cortadas
Ja´não moram mais aqui

E as poesias que fiz para ti
Serão sempre tuas
Como as imagens cotidianas
que se tornaram tempranas
e todos detalhes, vou costurar
em minha alma que levarei para descansar



Adriane Lima

Imagem : Alex Alemany
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