quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Silêncio das horas vazias



A nudez do silêncio
me apavora
é a nudez interna
de minha alma que chora
 
quando em mim
a música silencia
eu não sou o que sou
ou quero acreditar ser
 
ao amanhecer dos dias
finjo que vivo
onde vou, levo meu avesso
e muito de meu instinto
 
quem eu sou e quem eu sonho
a incerteza do futuro
ou o olhar sobre ele
muro tênue de vaga espera
 
essa angústia amordaçante
não me deixa sair pensamentos
grande mistério dos pássaros
que nunca hesitam
 
sinto que vou morrer
sem o entusiasmo da nudez das horas
costuraram imagens sobrepostas
não vejo mais o que via
 
fecho os olhos para a mágoa
e para tanta covardia
 
vou calando com meus botões
permitindo que a linha da vida
pregue suas peças sozinha
quem sabe ali, o avesso é mais bonito

 

 

 
Adriane Lima

 

 

 

 
Arte by Pat Erickson 

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Mansidão





Com minhas mãos de algodão
refiz nuvens de ovelhas
para uma tarde sem céu
empasto olhar 









Adriane Lima








Imagem retirada da internet

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Sem tempo para as nuvens



Mais um final de dia
sem a poesia
dividir a escassez das horas
para me pertencer
ao luxo de ser poeta
ou aprendiz
saboreando a morte diária
penso no que anoitece comigo
por entre o tempo
penso no que me move
expresso o que me comove
e me fez chegar até aqui
cada ser que me atravessa
e me compõe
feito pétala
solta pelo tempo das decisões
vão se perdendo em esquinas
quem estará usando
aquele meu vestido de renda
bordado por mãos
tão delicadas
quem estará calçando
aquele meu sapato de lã
confeccionado pela
minha avó
as lembranças
amareladas
nuances brancas
em várias demãos
vão passando
passando em vão
o tempo e suas perdas
a maturidade e seus ganhos
no ir e vir das urgências
mais um dia se finda
restou-me a nostalgia
e uma "quase poesia "
apenas para deixar meu rastro
enquanto finjo que sou
quem eu gostaria de ser

 




Adriane Lima



Arte by Ernesto Arrisueño



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