segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Indissolúvel



Dê a cara a tapa
ao poema, trema,
entre o sofismo de
teu pulsar caótico
e o hedonismo de minha
poesia que te usa
como musa
 
dê a cara
tenha coragem
de cair do mais alto
de meus versos
 
aceite o desafio
com delicadeza
sei que prefere
o açoite de tua vileza
 
para depois gritar
aos sete ventos
que a efemeridade
de um poema 
não vale um grão
de minha atitude





Adriane Lima










Arte by  Johanne Cullen

Sem atenuantes





Fui sendo vento
gelando o corpo
em febre
fui sendo sol
aquecendo o dia
de leve
 
fui sendo passos
seguindo a trilha
sem desvios
fui sendo olhar
perdendo a vontade
do calafrio
 
fui sendo humana
universos traçados
em mortes lentas
fui sendo pedra
fechando abismos
em carnes tenras
 
fui sendo cor
grafites nos muros
ofuscados
fui sendo dor
fomes, misérias 
o amor negado 
 
fui sendo a redoma
que enfeita o mundo
de cuidados
 
fui sendo,  fluindo,
nem sendo, sentindo
só indo ...
 
matéria do mais
profundo lacre
me vi rindo e engolindo
o último gomo
de um fim de tarde









Adriane Lima






Arte by Alla Shchullk 

sábado, 20 de setembro de 2014

Dor refratária




De vez em quando
tudo em mim
anda a mil
tudo se desencapa

feito um fio
um curto aparato
fundamentado em
plena fisiologia
(puro potencial de ação)
onde chovem desilusões
de substratos negativos
e faiscam entre
brasas positivas
sob refúgio de células
em despolarização

os meus sonhos de menina.
Lágrimas colombinas
buscam impulsos
nas atividades emocionais
dentro de um abraço vital 

revisito meus abismos
desprendo-me de
mãos silenciosas
em repúdio ao medo
dos meus pés sedentos
de caminhos e esquecimentos
sobre os escombros
surge a lembrança
do sorriso de palhaço
que eu temia, quando criança







Adriane Lima






Arte by  Oksana Zhelisko


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