quarta-feira, 20 de maio de 2015

Entrei de olhos vendados

 
 
Abri os olhos
e não enxerguei a minha alma
nem a tua
não faltava sol
faltava a verdade
 
Eu havia me tornado portadora
de uma miopia amorosa
sentia o coração doendo de fadiga
sozinha seguindo em frente
deixei a visão escurecer
e um tênue véu nascer
 
Diante de críticos cruéis
corvos, serpentes e chacais
que adentraram os quintais
onde plantei as mais belas flores
 
Aos poucos fui me cegando
não consultei minha razão
e minhas vontades antigas
 
Era mais seguro e confortável
manter meu sorriso de complacência
apagar meus desejos ardentes
para apenas sobreviver dentro da morte
 
Fazer apenas silenciosos diálogos
com todos os Eus que me habitam
estava cercada demais por animais
homens em seus pedestais
de Egos não corrompidos
 
Triste ter deixado me envolver
nessa cegueira da alma
porque no fundo
a escolha é sempre nossa
entre o dialético jogo
de enxergar e não Ver
 
 
 
 
 
 Adriane Lima







Arte by Wlodzimierz Kuklinski

sábado, 16 de maio de 2015

Estranhos no paraíso

 
 
Cria-se
entre instantes
entre esperas
entre amantes
folhas rasgadas
restos de segredos
e alguns medos
caídos ao chão
 
recolhe-se
entre mãos em concha
entre dentes de rastelo
folhas outonais
restos banais
e alguns credos
caídos ao solo
 
empilha-se
entre o tempo
entre os lábios
entre os dedos
entre corpo e alma
 
o mais sutil
o mais leve
tudo o que perenizou
entre tempo, quedas e jardins
 
o narciso outonal
de você
e de mim

 
 
 
 
 
Adriane Lima
 
 
 
 
 
 
Arte by Tânia Wursig
 
 

Poema raso




Entre águas
que molham a alma
inebriada de beijos
da boca até os pés

São paralelos os caminhos
entre olhos e luar
descompassadas estrelas
nascidas em pontas de dedos

Como se desenhadas
abruptamente
nada além da paixão

E sem ser vista
no âmago
jamais permitiria
que navegasse

em  meu coração





Adriane Lima





Arte by Martinho Dias
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