segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Onde dormem as palavras




É preciso sagrar-se mortal
e merecer a felicidade celestial

O esquecimento , o ódio e o medo
não são palavras desumanas
use-as verdadeiramente
e liberte todas as rimas
as resmas, as teclas

Marque feito gado o que te cerca,
te incomoda e ao mesmo tempo te domina
me cansa essa aliteração
de asas, de casas, de brasas

Esse amor sem riscos
e contentamentos
que jamais te faria pensar :
-nunca sou, mesmo sendo

Incansavelmente repito
o mesmo movimento da alma
que cala a cada manhã que te nego

quando leio em teus olhos
o destino do meu dia





Adriane Lima







Arte by Cristina Fornarelli

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Manobras de libertação





Sobre as portas que você fechou
há muito tempo perdi  as chaves
é de minha natureza
preferir asas
sem me importar de sair pelas janelas







Adriane Lima







Arte by  Juliana Rabello

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Inquietude









Não venha hoje
com seu jeito de Centauro
dizer levezas em poesias
sussurrando para me atiçar


Só desta vez não vou vestir
o meu casaco de estrelas
nem dançar com os ventos
para aceitar seu convite


Em seu corpo conheci
a mentira diante o abismo
o peso das patas
cravadas em meu peito


Não mais me entrego
a sua boca de metáforas
quero um mundo habitado
por homens inteiros


Que eles atravessem
o que antes foi fronteira
e amansem minha
indomável sede
do desconhecido








Adriane Lima








Arte by Celine Excoforon
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