segunda-feira, 2 de julho de 2012

Pele em Poema




Hoje não quero escrever
no papel meu sentimento
hoje o momento
é poesia real

poesia desprovida de versos
virada do avesso
sem mea culpa

quero escrever um poema na pele
sabor de língua e sal
deixar que ela se revele
meu corpo feito um poema

você saberá entender
o que tenho a dizer
vai ler com os lábios
com os olhos e com a
ponta dos dedos

vai sentir os segredos
das palavras amorosas
que guardei para você

e quando roçares teus dedos
em minhas costas
saberás as respostas
de meu coração

e nessa hora
então:

poesia
soneto
ou canção

tudo perderá os sentidos
e eu serei para você
e você será para mim
palavra por palavra

a leitura de tudo
que já fiz do
começo até o fim

 
 
Adriane Lima
 
Arte by Alex Kristov 

sábado, 30 de junho de 2012

Instante de amor


Para o amor
me fiz de surda e louca
sem entender os recados
sem saber se era pecado
olhar e vê-lo no reflexo
da lua em um lago


ao ver-me narciso
sei que me engrandeceria
e redondamente me enganaria
em reverso de quarto crescente


o amor misturou a gente...

errei o centro, a margem
vivi uma abstinência covarde
por não entender de paixões

fui arrebatada por miragens
de minhas próprias visões


é bem verdade
quando o amor nos arrebata

voamos em uma nau insensata
seguindo viagem
desejando somente ir em frente


eu não disse: o amor misturou a gente

então, escrevo
para dar vazão

ao branco do papel
eu fico olhando para você
me esqueço dos sentimentos do mundo
e desejo ser benevolente
entendendo que o mundo girando
se perdendo e se achando
pode então unir a gente
 
Adriane Lima
 
 
 
 
Arte by Alex Kristovv 

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Sentidos desordenados



Quando ouço tua voz
as palavras são mestras
mesmo que chova no molhado
vou dançando nessa festa

quando falas
abrem-se todas minhas frestas
e o que era disforme
vai se moldando ao tom

nuances de uma reza
mantra solto no ar

Não existem notas
não existe nada
nem mesmo sei
o ritmo que
nos embala

música feita de verdade nua
a aquecer minh'alma
que jaz tão tua

e o som ecoa
e o som me aquece
e tua voz vai sumindo e voltando
interna e ternamente

os limites do sombrio
que rondavam meus porões
provocando clarões viram
luzes esparsas  no ar

nada em nós tem lógica
nada a aplaudir o impossível
melodia nem faz falta
mas, é a voz , o invasivo
que ecoa em meu lado poético

é o que me protege
das horas de dor
é a medida pulsante
desse afeto distante
que faz eco em nossas vontades

tua voz é música
pendurada em estrelas
pautando o infinito
que aprendi a decifrar

 
 
 
Adriane Lima
  
 
Arte by   Stanislavas Sugintas 
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...