segunda-feira, 13 de março de 2017

Entre laços e luas



Olho hoje seu rosto
tão diferente de tempos atras
como se hoje
sua luz não existisse mais

como ter olhos para
teias tão frágeis
onde enveredava-me
tamanha admiração

esquecer o que não
nos convém, é dor
leve e silenciosa
cheia de urgências
em um amor de lentidão

ainda estamos de mãos dadas
de almas devoradas em algum lugar escuro

onde a lua chora nossas mágoas










Adriane Lima








Arte by Galia Bukova

Onde habitam as asas



As paredes de minha casa
cansaram de ouvir
falar de solidão

Descascaram-se
em lágrimas de
tintas enternecidas

Acordaram buscando sol
nos mofos das retinas
onde doía em silêncio
a desistência da vida

Entre noites escuras
abraçavam dores vazias
de pares e pés unidos

Nas paredes dessa casa
rachaduras de histórias
caladas entre curvas

Corpos que se transformaram
em fantasmas e vivem
a espera do tempo

Casa:- lugar onde habitava o sol
sem paredes 

e minhas aves de arribação



Adriane Lima







Arte by Galia Bukova

terça-feira, 7 de março de 2017

Para onde vai o que tem pressa



Se ela chora por amor
é frágil
se ela age com paixão
é impulsiva
se ela grita seus sentimentos
é histérica
se ela se mostra de verdade
é fantasiosa

qualquer coisa é motivo
para um sentimento levar a outro

Mulher
o que pode ter um ponto,
um desconto, um senso
um contra senso

Mulher
onde é teu paraíso
inferno se compõe
na mira eterna de olhos
que não sabem distinguir
tuas nuvens

Mulher
veias onde correm sentimentos
onde as razões não merecem
pesares pelo teu voar

Mulher
estrela maior
visitante das ruas
que se auto devora

Mulher
dona de todo e qualquer espaço
onde se mistura
a insustentável leveza do
que chamamos Amor






Adriane Lima







Arte by Paul Lovering
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