sábado, 14 de abril de 2012

Feitio de menina...



Onde estão as sementes
jogadas no jardim?
onde está a menina
cheirando a jasmim?
onde está a donzela
que pensou no amor
como tábua de salvação?

Onde está a canção
de rock’n roll
que Bob Dylan
cantava para mim
por horas sem fim
no volume máximo
entre as paredes azuis do quarto?

Só agora percebi
que prenderam a alegria
e ainda levaram a chave ...
alguém sabe quem a levou?

Tenho a plena
certeza de ter fechado o cadeado
E depois tê-la amarrado
bem na ponta da lua crescente.
assim,não poderia esquecê-la
mas algum vilão
roubou-me a caixa dos sonhos

E assim se foram os momentos risonhos
onde acariciei utopias
mergulhei na fantasia
juntei sonho com realidade
e agora ,sem essa alegria
que está presa na caixa lacrada
que era banhada de alvoradas
e de entardeceres lilases..
oomo vou construir a poesia?

Se lá ficaram todos os sonhos sonhados
os mistérios decifrados
de que hoje não me recordo mais?
quem souber do seu destino
por favor,me comunique
porque nem eu mais acredito
nos véus de possibilidades

Ainda sei que o amor
traz felicidade
que estrelas furtacor
levam a maldade
o peso de um olhar
um segredo guardado
o som do silêncio é bom
o beijo que não foi dado
o escrito hoje apagado
os rabiscos de giz de cera
os minutos de bobeira
o vela soprada na claridade

Foram todas as verdades
que alguém me roubou...
fingindo ser meu amigo
me deu abrigo e me contou,histórias de amor...

E toda esse brincadeira de escrever como quem rima é apenas
meu lado menina, que acredita em poesia vinda da ponta dos dedos
e se distrai com sonhos e segredos como quem costura desenho em nuvens...



Adriane Lima




( Imagem : Stanislavas Sugintas )




sexta-feira, 13 de abril de 2012

Céu de Abril




Passei a vida inteira tentando interpretar
porque não gosto de vermelho


desperdício de tempo querer explicar

o vermelho me rodeou
ao acordar em céu de Abril
onde as folhas de outono
começavam avermelhar
minha oração começava falhar
então comecei a enxergar


emoções avermelham olhos
avermelham a pele
vermelha é a febre


o vermelho do sinal fechado
do sangue jorrado em ferida aberta


a língua, os arranhões
a pimenta malagueta
o desejo de cortar tendões


a cereja do martíni
a bandeira do Japão
o frágil coração


o peixe no aquário
meu imaginário
amor de rubro ardor


a carne mal passada
que sangrou no prato


lá fora o sol ficou avermelhado
restos de um passado
que foi negado
afogado no mar da impossibilidade


- tudo me avermelhou








 



Adriane Lima







Arte by Luigi Spano

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Réquiem de um sonho




A noite para mim é um deserto
enquanto a vida dorme
faz-se em mim um silêncio enorme
então, não sei quem sou

De minhas visões saem anjos

e por momentos , cinzentos
asas quebradas pela dor
quarto crescente da lua vaga
em céu silente e sem calor

Envolvida , minha mente

manifesta renitente
o que o vento me murmura
e o que o tempo transfigura

Percebo que os vivos

estão mortos
é meu réquiem de sepultura
para os mortos que estão vivos
sendo a raiz dessa amargura

Crio o funeral de um sonho

envolta em nostalgia
matando minhas visões
acordada, sou poesia

Morte e vida seguem unidas

feito irmãs siamesas
e nisso sinto a magia


Ouço Mozart ao nascer do dia...


Adri Lima


 
 
( Imagem Yannick Bouchard )
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...