quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Metáforas interditas

 
 
 
Há os que são felizes
escondendo tudo
até as rimas de amor
debaixo da língua
 
carregam em si
a sabedoria nata
dos olhares poéticos
das frases de efeito
os silêncios sutis
 
há os que são felizes
escancarando tudo
até os versos de dor
cravados na pele
 
carregam em si
o defeito nato
das observações ingênuas
dos poemas de anseio
os silêncios febris
 
e se tratando de amor e dor
calar ou falar
não faz Sentido
 
... é só um Sopro  
 
 
 
 
 
 
 
Adriane Lima 
 
 
 
 
 
 
 
 
Arte by Pat Erickson  

O que bocas articulam além de voos




Queria lembrar
o gosto de teus lábios
saliva do murmúrio adocicado
entre tantos anseios
queria lembrar
o pecado de teus beijos
o som ofegante
do pensamento
entre o recado e o lampejo
queria lembrar
o beijo
a função sintática
a sublimar meu desejo


despalavreando o
complemento boca








Adriane Lima







Arte by Anne Cresci 

Onde a noite adormece e ganha asas




Onde mora a verdade?
na palavra que faz ferir
no silêncio que faz seguir
ou em nada que nos convença

a forma de transformar
tristeza ou felicidade
em buquê de sentimentos

somos feitos da
mesma matéria
dos átomos
infinita miséria

e tudo é contemplação

a verdade sempre aparece
na paisagem árida da dor
na fresta onde entrou o amor

e ali ficará brincando
até encontrar a cama
para adormecer
como tantos outros
ornamentos
 

amor não morre
adormece e renasce
na alma do mundo
acordando homens
de seus enganos
 


Adriane Lima




Arte by Mathew F. Cheynne 

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