quinta-feira, 31 de maio de 2012

In dolor ...



O sépia da lembrança
dá o tom das paisagens
esquecidas em gavetas
das histórias pessoais

Adri Lima



( Imagem retirada da Net ) 

O que vem a ser, respirar erudição ...( ?)



(...) e lá vou eu ,examinando,
espionando
Vou tachado,sou pesado,
rotulado...
Meu povo!
Como nos deixamos cair
em tamanha abjeção????"

Raul Seixas



Enfim escrevo,e minha linguagem é fácil para aqueles que estão ou não "acostumados" a se aprofundar nas nuances da escrita usada pelos poetas...

Oh,então direis:Ouvir,estrelas ??
Por certo perdestes o senso
e eu vos direi, nem tanto...
Enquanto houver espaço ,corpo e tempo e um modo de dizer Não...eu canto....

Seria esse um anti-acidente,já citado por Caetano??

Enfim, parece que todos viraram poetas, eruditos,benditos,malditos, canibalescos,comedores de palavras e de meio fio...
É tanta gente na estrada , rimando cataclismas com pavão...achando ser isso erudição...
Mas, eu gosto mesmo é de poesia simples,feita para quem entende o humano por trás de cada letra.
Simbologia maior ,que nos trouxe até aqui.
Sim,a escrita,o símbolo gráfico..."forever " !!!!!!
Adélia Prado, Cecília Meireles,falavam do terno,do cotidiano com toda simplicidade.
Hilda Hilst complexa em seus textos em prosa,mas para falar de amor era liquida,certeira,odiava quem comentava sobre erudição...
Eis um trecho em questão : Ainda não entendo os eruditos sobre suas declamações de amor. Pincelam em seus versos...
os tons mais bonitos de azul, lilás, marfim e toda cor....à mulher amada se discorre bordões:" és meu porto-seguro, és meu cais"e a cada frase se engole uma dose demasiada de paz... (Perfeita,como sempre )


Grande Hilda...ela foi simples para falar de amor, como toda mulher apaixonada.
Porque para fazer poesia não precisa falar difícil, porque senão perde-se o objetivo e o objeto de amor perde também o seu resultado.
Não é preciso haver embocaduras,envergaduras , aberturas de dicionários....
Amor? É interplanetário...em qualquer gesto se faz entender,
Em um olhar se pode revelar mais que mil poemas escancarados.
Amor não é só para vender calça jeans na televisão como disse Jabor...
Manuel Bandeira bem citou em um trecho de seu poema :


" Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário o cunho vernáculo de um vocábulo.
Quero antes o lirismo dos loucos
O lirismo dos bêbados
O lirismo difícil e pungente dos bêbados
O lirismo dos clowns de Shakespeare.
- Não quero saber do lirismo que não é libertação.



Minha poesia não é nada além disso: libertação.
Se é objetiva,se dá o seu recado, me questiono então:qual???
A poesia dá recado até em papel de pão.
Só não quero escrever abrindo dicionários para dizer que escrevo para os literários de "plantão"....





Afinal, existe muita poesia na "Asa oculta da Borboleta !!!!!!! "
E que venha ler,quem se interessar pela questão.....


Adriane Lima

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Delito

 
O carmim dos lábios no filtro
no cinzeiro foi deixado
culpa do beijo, que
por você não
foi roubado

Adri Lima

Identificação



Não, eu não sou difícil de entender
e mais ainda de me ler
não em versos
prosas ou frases
soltas no ar

Sou fácil de entender

pelo meu olhar
minha doce ironia em entrelinhas
ou através das melodias
que tocam em meu celular

Mulher romântica

e até mesmo infantil
suspiro ao ouvir Chico Buarque
estremeço ao ler Pessoa ou Rilke

E distancio-me de quem me magoa

não bato boca, não dou um "piu"
minha voz sai embargada, dou gargalhadas
nervosas, em vez de chorar

Mas eu sou fácil de ler

mas, de lidar nem tanto
preciso me sentir livre
e presa ao mesmo tempo
construo minha liberdade
acredito na felicidade

facilito a entrada de desejos

afasto os medos de meu caminho


Tropeço sim, e porque não?

choro, às vezes de tristeza
e outras vezes de emoção
amo de verdade, com desejo e paixão
tenho asas, acolho sob elas os que
hospedo no coração

Sou mulher,sou várias

sou todas em uma só
depende de meu dia
depende de teu olhar
e da minha vontade

de que você o decifre para mim ...


 
Adriane Lima  
 
Arte by Carrie Vielle

terça-feira, 29 de maio de 2012

Poema confissão



Cheguei a conclusão que não gosto de pessoas
que posso classifica-las de "áticas "

As emblemáticas
as sorumbáticas
as fanáticas
as antipáticas
as pragmáticas
as fleumáticas
as performáticas
e as problemáticas 
Chega de ser forma infinita
enquanto dura




Adriane Lima




Arte by  Miroslav Yotonov

Vozes intermitentes ...



Hoje ouvi uma voz
quase disforme
dizendo-me :

Não se conforme
com a forma
tenha fome
que nada se resolve
na mordaça
tapa na cara, meu caro
que valha
a navalha
em minha carne
calar eu não calo
mando a raiva
pelo ralo
e ganho força
até chegar
a minha vala

 


Adriane Lima





Arte by Alex Alemany 

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Visão distorcida



Não, eu não quero mais ter olhos que sofrem
Não quero voltar para casa remoendo injustiças
 

   Homens pedindo esmolas
comendo lixo,tendo uma vida animal

Não,eu não quero mais desigualdades
Não quero mais mentiras e promiscuidade
Ver pessoas falando o que não sentem
Pouco se importando com a minha verdade

Não ,eu não quero chorar porque pisaram em minha dor
Mataram o amor e não leram os avisos de felicidade
Assim tropeçam os desavisados,como eu,nessa cidade

Não, eu não quero mais ter olhos marejados
Por quem só pensa em luxo e ganância
E desequilibra a natureza do meu interior
Me provoca,anseios,angústia e torpor

Ah, me arranquem esse olhos desafiadores
Não quero mais morrer aos poucos
Pela visão de quem já desanimou vida á fora
Onde andam meus sonhos coloridos
de suaves campos e paisagens

Num só gesto suspenda-me
quero que meus olhos
se fechem e deles brotem flores
 
Até que os sentidos não sejam os meus
Até eu não ser mais aquilo que sofro e sou

 



Adriane Lima





Arte by  Guetto

Intra-muros



Engraçado pensar assim
que intra-muros nos delimitam
espaços cortados de pluralidades
por ruídos entendemos
estar vivas em nossas particularidades

Às sete horas, chega diariamente
às dezesseis, a ouço fechar janelas
e nesse intervalo de tempo
sei que lá dentro
encontra-se ela....

A empregada da vizinha
que lá fica sozinha
o dia inteiro
lava,esfrega,aspira,
canta, cozinha
do lado de cá posso ouvi-la

Imagino-a de um jeito todo meu
como ela também deve  me imaginar

Como será que ela me imagina?   
será que pelas músicas que ouço ?              
pelo silêncio que faço?
por conversar com meu cachorro?
ou pelo fato de me ver
tão só quanto ela ?

Cada uma em seu espaço
cada uma no seu corre-corre
dessa vida moderna
ela,sai cedo de sua casa
para arrumar outra
que nem é dela

Todos os dias 
do outro lado do muro
está alguém que não vejo

seu barulho está em toda parte
e através dele, eu construo
minha visão de poesia



Adriane Lima 




Arte by  Eric Montoya

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Poema essencial



Escrever não é arte
é um pacto de sangue
que fiz com as letras
com versos coloridos
e sem sentido

É o que trago hoje comigo
poesia vã, inglória
sem significados
sem dor e sem recados
que possam me revelar

Hoje ela soa mecânica
apenas ato
fato esse que não aceito
então ela me dói a alma
me trava os dentes

Assim como a arte
que faço em minhas tardes
também me soa mecânica

movimentos repetitivos
como repetitiva ficou a vida

Que me dói os ossos
e não me libera as mãos
mesmo que não saia a escrita
o que guardo é o que grita

Todo ato perdeu o sentido, é fato
e a poesia se eternizou em mim

 
 
 
 
Adriane Lima  
 
 
 
 
  Arte by Miroslav Yotov

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Caprichosa...mente




Sobras, restos, sinas
desencantos e convicções
que moram hoje em mim
igual sujeira deixada
em uma festa
após os convidados
irem embora

assim ficou nossa história
irremediavelmente inacabada

A música que não dançamos
o cigarro que não trocamos
o gole de vinho não derramado
o sol renascido
da esperançosa manhã

E passou e passamos
assim como os desenganos
a falta de planos
os desafetos concretos
e tantas certezas vãs

Fones que não tocavam
rotas sem bússolas
silêncio que assustavam
e direcionavam a morte em nós

Verdades que você trouxe um dia
para fixar histórias,feito raiz
blefes ao meu coração enfático
derreteram-se ao pó da estrada
feito cal soprado de giz

Pelo medo de saber-me enlaçada
faço de minha poesia
a raiva pisada
por você não ter provado
o sabor do meu pecado
mas hoje, o amor já foi usado
fechando assim , a cicatriz ...

Adriane  Lima
Arte by Jeffrey Barson

segunda-feira, 21 de maio de 2012

O melhor do Amor




"Não era amor,era uma sorte. Não era amor, era uma travessura. Não era amor, eram dois travesseiros. Não era amor, eram dois celulares desligados. Não era amor, era de tarde. Não era amor, era inverno. Não era amor, era sem medo. NÃO ERA AMOR, ERA MELHOR”
 ( Martha Medeiros )


 
Eu que me achava tão dona do meus sentimentos,dizia : apaguei sim, qualquer vestígio que viesse de você.
Guardei os discos,os livros, as flores secas no interior de cadernos e todos ingressos por onde andamos juntos.
Achei que assim poderia apagar marcas, apagar as lembranças do que chamamos amor.
Eu lembro como se fosse hoje o dia que jurei nunca mais deixar meus olhos se "marearem " ao pensar em você.
De tua voz me desliguei,de teu cheiro me lavei...
Que idéia mais infantil essa minha,de amor contado e objeto guardado dentro de nós.
Amor não se mensura,não se apaga,não se afoga em mágoas ou em gestos de bravura.
O amor que nos demos valerá para vida toda,passagem para eternidade de um princípio sem fim.
Ele enriqueceu e nos amaldiçoou,fui dona da maior das posses em vida.
O teu amor!!!
E hoje vejo que era mesmo amor, ele me enaltece até hoje,quando esqueço as amarguras,não me refiro as armadilhas do que pensei ser desamor.
Amor não é prêmio, amor, não é mérito, amor é viver e morrer dos fios que ele teceu.
Dos rastros que ele deixou,da saliva que marcou,os gostos dos beijos trocados,a beleza que iluminou pelo tempo que durou.
Sábio poeta que dizia :"que seja eterno enquanto dure" e o nosso foi.
Hoje me envaideço por entender que era, é ...e será amor...
Não o prêmio perdido ou ganho,mas a vivência concreta de tudo que nos marcou.
E nesse tempo sem te ver,fiz pedidos silênciosos para que a vida cuidadesse de você.
Para que você de mim só guardasse o que de melhor pude te fazer.
Hoje mais madura,vejo com os olhos do coração,sem remorsos ou dores, pode até ser uma analogia infantil,mas meu coração olha por você.
Mesmo longe de sua vida eu pensava,será que ele está feliz, será que dá ainda aquelas gargalhadas altas que dava quando estava comigo e faz alguém sorrir assim também?
Claro que sim, o amor que veio para mim irá ser colocado no caminho de quem souber fazer o que eu não pude.
Mas desejo que a vida te cuide e que possamos sempre viver o amor.
Claro, que hoje um amor diferente,de carinho e compreensão, da busca da felicidade do outro como humano e não como objeto de desejo e paixão.

 
Amor é mérito, é humano,é desumano mas, quando há amor,há de haver sonhos.
O amor faz silêncio interno,para criarmos a cura em palavras!!!!

 
Adri Lima
 
( Imagem :Saturno Butto ) 

Múltipla dor




O dia me trouxe o medo
plantado entre chão e estrelas
de uma terra que não é minha
mas, que detém meu segredo

Luto com sangue, silêncio,
sonho e arte
lúcida vertigem dos dias 
que passam como um velho trem

Cujo a rota sempre me fere
incertezas, lentidão, bagagens
a fumaça da solidão
nunca em palavras

O tempo não tem explicação
nem a morte, nem a dor
nem o vazio de uma saudade
onde o espaço é multiplicação

Onde somam -se a isso :
filhos, amigos, quadros, discos
livros, coleção de fotos e um cão
minha opção, de ir ou de ficar
 
Entre cais e horizontes
ainda busco o caminho do mar

 





Adriane Lima 
  




Arte by   Miroslav Yotov

Desigualdades



Tem dias que dói o verbo
que nem sempre conjugo presente
e nessas horas estou ausente
meus sonhos pregados em estrelas
tão longe do que está aqui

Tem horas que nem me alcanço
combinando meias verdades 
falo da lua, falo do mar
lembro de nossas desigualdades

Num fim de tarde, céu escarlate
tem um silêncio que não tem fim
 
Por mais que eu sonhe
por mais que eu queira
me sinto vazia de mim

Quem é essa que me habita agora
tantos sonhos,nada faz ,só chora
corpo que recua da luta diária
cabeça dispersa em fatalidades

Solidão,silêncio,angústia e saudades
sentimentos esparsos que vivem aqui
faço do sonho o meu abandono
e vejo que em vida já me perdi



Adriane  Lima 





Arte by Mia Araújo 

sábado, 19 de maio de 2012

Tardes infinitas





Quando a noite se inicia
cores me convidam da cortina; 
olho o céu laranja e lilás
estrela primeira se aproxima

São as horas mais nostálgicas
onde comigo morre o dia
são certezas,são verdades
que minh' alma ilumina

Solidão que me invade
brilha meus olhos de saudade
de ter meus pés de volta
em minha terra de menina

É só mesmo uma vontade
de saber que o céu imenso
é de lá bem mais bonito
e daqui eu sinto o peso
de não voar ao infinito ...



Adriane Lima

Devaneios




Amei em cheio 
sem rodeio
você não veio
veraneio
rodopio
calafrio
em meu ego
eu me nego
meio a meio
Você veio
não amei-o
sem receio
meu anseio
Serpenteio
palavras
promessas 
que te dou 
que recebo
e não há meio
nem um fim...





Adriane Lima

Sutil




Um passo em falso
calabouço
eu descalço
mão no bolso
ando sem parar
eu sem chão
etéreo feito ar
que me 
condena
e também me aliena
para a vida 
que há lá fora
agora
impacientemente
eu descrente
que posso em outro
lugar chegar
noves fora zero
nada mais remonta
mas a vida apronta
e faz de conta
que não sou de me 
entregar...




Adriane Lima

Amar...cura








Amar você é assim
pular de um trampolim
sem saber se encontro água
levantar no meio de um sonho
em plena madrugada

é ter que inventar assunto
quando não se fala nada
é o perigo de uma ida
e o medo na chegada

é alimentar seu tédio
e julgar ser privilégio
em seu colo me aninhar

é ouvir com o coração
suas juras sem razão
e ainda assim afirmar
que não é nada clichê
o seu jeito de me querer

nem mesmo esse olhar blasé
com status de kamikaze
que sabe que vai morrer
se essa chama não acender
diante do que me invade

e quando digo, que tudo é lenda
não quero que você se ofenda
e pare de oferecer
para mim, todo seu charme

mesmo que tudo acabe
deixe seu amor morrer
em minha própria carne

feito perfume barato
que se evapora em fim de tarde

 







Adriane Lima






Arte by Eric K. Wallis

Semear





Era tanta dor
tamanha descrença no amor
que estava fechada para balanço
um descanso
um feriado pessoal

Faltava sol, faltava sal
a vida seguia normal

Eu sentia falta de um ritmo
algo para mexer comigo,
feito carnaval

Eu senti seu aproximar
eu me deixei por você tocar
ao fundo do coração

Você veio semear
veio me lembrar
de derrubar as dores 
- milagres dos que creem em destino

Formas simples e doces
à abençoar
caminhos, os carinhos
as cores que mudaram no céu

Não são palavras soltas
quando beijo sua boca
e seu sorriso vem mostrar
o brilho de seus olhos me dizem :

Sempre estaremos assim, 
acredite em mim
eu vim para te fazer voar





Adriane Lima





Arte by   Sergey Ignatenko

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Crônica : Dispositivos Maternos...





Aquilo que se faz por amor está sempre além do bem e do mal.

Friedrich Nietzsche



Hoje,acordei pensando nos meus botões de dispositivo internos.
Claro!Ou você nunca pensou que tivesse esses botões??
Todos nós temos,mas acredito que a maioria deles se encontra instalado nas mães.
É,mãe precisa ter vários dispositivos e de preferência ,ligados 24 horas por dia,caso contrário,o mundo poderá desabar.
Acredito que o mais acionado,é este:”mãe,me leva...’e se estiver ocupada,ou indisposta,esteja preparada para ver cara feia e um bico enorme,durante muitos dias!
Outro botão também muito utilizado,é “mãe,estou com fome...”Isso deve ser consequência da amamentação. O filho olha para a mãe e se lembra da comida!
Pobre da mãe ,como eu,que não tem o dom da arte culinária!
Acabo sempre me queimando,ou deixando muita comidamas a boa vontade existe e isso é o que vale!
Os filhos acham que as mães deveriam estar sempre felizes com as atitudes e decisões que tomam,criticá-los,jamais !
E quando isso acontece,o botão do desprezo é acionado.imediatamente!Se forem adolescentes,a situação piora,é preciso estar sempre preparada para ser censurada!
Filhos estão em outra sintonia, diferente da sintonia da mãe e só se acertarão após transcorridos uns longos vinte cinco anos,ou até mais!Mas,mãe não tem pressa!´
”Mãe é tempo sem tempo”,como disse o poeta.Além disso,ela tem sempre acionado o botão da complacência,da paciência e da aceitação ,
sem falar do botão do amor cego,que é esse amor maternal
!Ah!Basta um sorriso,um gesto carinhoso vindo de um filho, que todas as mágoas se dissolvem.
O segundo domingo de maio é dedicado às Mães
Ao sair para almoçar com meus filhos, para festejar o dia, encantei-me ao ver as famílias reunidas ao redor das mesas.
Todos falavam e riam ao mesmo tempo,celebrando a alegria do encontro.
Havia avós,netos,mães,enfim, união de gerações.
Mas,nem tudo era só felicidade! Numa mesa bem próxima a minha,os filhos resolveram “jogar na cara “ da mãe que se sentiam abandonados,
mal amados,já que ela não os procurava.Foi inevitável ouvir essa conversa,ou melhor ,essa discussão.
Claro que todo filho ama a sua mãe que toda mãe ama o filho.Mas tenho a certeza de que aquele dia ,não era o mais apropriado para lavar roupa suja.
Mães também erram,são humanas,Muitas nem receberam amor,então,como distribuí-lo,se estavam carentes?!
Vou citar um trecho de uma música de Renato Russo que diz assim:”Você diz que seus pais não te entendem,mas,você não entende seus pais.São crianças como você.
O que você vai ser quando crescer?”
O poeta estava certíssimo! Pode passar o tempo que passar,gerações e mais gerações, a tecnologia evoluir ,
porém,quando se trata de amor,seremos sempre os mesmos,pouco crescemos.
A verdade é que mãe,nunca tem hora,não tem limite,não tem acerto ou erro.Mãe é ímpar ,é doadora da vida e deve ser amada e respeitada .
Mãe é mulher,é esposa,é amiga.é multiplicidade,já que desempenha inúmeros papéis. Isso é louvável!
Mas as vezes acho que filhos acham que mães possuem o botão "adivinhe o que estou pensando"...a falta de comunicação em qualquer relação é fatal.mas as mães são obrigadas a "lustrarem sempre a Bola de cristal..senão..cara feia de novo.
Mãe ama incondicionalmente. Ela pode até cometer alguns erros ao esquecer de acionar uns botões por um tempo,mas mãe também se cansa!
Às vezes, os filhos cobram demais e acabam sendo muito críticos .
Analisam tudo e lá vem crítica,aos gestos,as roupas,o modo de falar ao telefone,
a maneira como tratamos seus amigos e imaginam que a mãe não gosta do seu (sua) namorado(a).
As mãe deveriam ser mais divinas que humanas...
Um dia ela acaba,e os sentimentos todos se tornam confusos,mas quem já perdeu a mãe sabe que é uma dor na qual não tinha idéia do que era sentir.
Mãe deixa um vazio que amor nenhum preenche.
Mas, são poucos que valorizam sua passagem por aqui.
Filhos ligam sempre o botão:não tenho tempo...
Mal sabem o tempo que estão perdendo em não estarem com o botão disponibilidade ligado!!!
O certo é que mãe ama na solidão,na saúde e na doença,na ausência e na presença e quando um filho fica meses sem procurá-la,
é mestra em ligar o botão da desculpa,do perdão e fazer de conta que nada aconteceu,para não se magoar.

Amor de mãe não tem o botão obrigação,mas tem o botão :amor noção...de amar e ser amada fora de qualquer questão!!!

Adri Lima





( Imagem Lauri Blank ) 

terça-feira, 15 de maio de 2012

Elos



Hoje talvez entenda
Tua saída "a francesa"
O presente,o passado
Posto à mesa

O banquete de promessas
O esquecido detalhe
O casaco deixado
O presente de sabor framboesa

Alimentou a saudade
e minha grande certeza
Que um dia fui flor
Enfeitando tua tristeza

Hoje ficou essência do
que fomos um dia
E sem falsa modéstia
foi tudo perfeita magia

E se agora não mais existe
ficou em meu dedo a fresta
a marca gravada do sol
Do elo contido que havia


 



Adriane Lima
Arte by  Alessandra Pisarnick 

Indelével



 

Não houve dores
em por flores
na espinha dorsal
 

Colorir em tons suaves
um corpo já desgastado
em lembranças de um passado
feito de ciclos vitais
 

Aos olhos conservadores
uma agressão, uma ousadia
certa contradição, aos velhos dias
 

Mas aos olhos, de quem entende e
percebe que a semente
em um solo fértil

precisava ser marcada, 
mesmo que na pele, por agulhas
ao invés de enxada

As flores trariam a necessidade
de brotar em mim
a beleza que já não havia mais 
em meu jardim






Adriane Lima
 




Arte by Wend Ng

Nascentes



Penso em tudo que cabe
em minhas mãos vazias
nesses últimos dias
fel , tristeza e muita dor
tudo em teu louvor

Poderia dar-te o frio que corre
deveria dar-te o rio que escorre
assim saberia de tudo que morre

Transborda o espaço
me privo da água
do tempo que vem
e me retém
em olhos nascentes
lágrimas e torpor

Deixo-me ver
sem medo
e por nós
traio os segredos

Falo nas pontas dos dedos
raiz exposta  sem cor
vou aprendendo
as mortes em vida
e nas saídas,
 finjo não conhecer
...o amor




Adriane Lima




Arte by  Yannick Bouchard

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Mãe sentimento...

  

( Para minha mãe Angela )


Toda menina imita a mãe 
veste suas roupas,seu sapatos
usa sua maquiagem
admira seu retrato

Tem um olhar que brilha

quando se enche de emoção
nos sonhos de menina
ser mulher na intenção

Mãe, eu cresci me vendo em você

teus gestos , teus dedos longos
tuas unhas pintadas de vermelho
seu caminhar leve e elegante
sempre foram meu espelho

Você, sempre esteve presente

até em minhas horas de solidão
onde buscava tua força
nas palavras
vindas de teu coração

Mãe, você é meu sul e meu norte

Sinto o quanto acredita que sou forte
mesmo quando me vês , sem direção

Mãe, que me deu a vida

hoje me tens vestida
de teu exemplo e percepção

Você é mais que a poesia

que me tece,mais que minha
prece,quando me sinto sem chão...

Mãe, com nome de anjo

só poderia ser : sentimento e dedicação... 





Adri Lima







Arte by  Natália Bryliova 
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