segunda-feira, 1 de abril de 2019

Ácida ressurreição



A poesia é o barro onde me moldo
criando formas disformes
onde posso:
sair do eixo, cair do abismo, silenciar o grito,
sentir calor no gesto de frieza do amigo,
chorar minhas inércias e fracassos,

Na poesia, sei reconhecer minhas preces
salvar minha pele, voar de pés no chão
com ela, visito meu sol interior e retenho
uma luz particular onde repouso minhas
mais íntimas loucuras
e a mansidão de todas as aparências
que me enganaram uma vida inteira




Adriane Lima




Arte by 
Christiane Vleugels 

sexta-feira, 2 de novembro de 2018

Seja mais você



Tantas mulheres em seus
silêncios absolutos

no peito uma música clássica soa
andante, vibrante, torrencial

Não choram, não estremecem
diante rotinas de gritos,
espasmos
e desejos mortais

Descobrem-se um dia
calmaria em silêncio e 

paz
não deixaram crescer o ódio

Amor próprio é o que satisfaz







Adriane Lima




Arte by Lizzie Riches

Alongar de asas



Meus abismos
são dores contemporâneas
onde lá na frente me lanço em vão

São olhares que se cruzam
no deserto, eu, oásis em solidão

O meu mais belo sonho
já não existe, foi vivido e
guardado no peito
pela grandeza de outrora

Hoje já não faz sentido
colocá-lo do lado de fora
o mundo se faz evasivo
para quem é sensível

E ninguém está disposto
a sonhar quimeras
projetar amores
ser um sonhador

As minhas mãos
plantam flores, pintam telas e
colocam palavras no papel

Já me basto
meus abismos, eu, os encaro
olhando a xícara do café diário
o que não é nada banal



Adriane Lima










Arte by Amanda Grieve 
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