segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Com cuidado...



Não,eu não sei conjugar
o verbo cuidar
Encharco,seco
nunca sei a medida exata
para doar

Mato orquídeas por aguá-las demais
mato certezas por secá-las em meu peito
não tem jeito
verbo cuidar difícil acertar

Pais e filhos
plantas e animais
seres vivos
se cuidar
cuidar de si
cuidar de ser
tão breve é o existir
tão leve é o cuidar
quem vai me fazer acreditar 
Cuidar...

Cuidado:
meu peito não tem dobradiças
 
 
Adriane Lima

Meu Homem



Homem solo 
o cheiro de tuas raízes
me vem no vento
e feito alento
sei onde está
meu coração

Homem asas
teu silêncio
me faz sonora 
embora saiba que
tua demora é
mansidão


Homem ar
me sufoca ao
me lembrares
além dos mares
que já fui carne
da pele tua

Homem  lua
se me flutua
além do espaço
darei meus braços
te abrigarei

Homem  água
sei que teus seixos
me moldarão
em tuas curvas
navegarei

Homem terra
signo do solo
já me consolo
por seres uno
e me transformares
no melhor de mim

Noite e dia
nostalgia
pássaro de fogo
sol translúcido
névoa e conflito

Em você habito
o mesmo sangue
do externo e interno
de nossos universos paralelos




Adriane Lima 


Arte by  :  Marina Podgaevskaya  

domingo, 30 de outubro de 2011

Caminhos Desertos



 

Por onde andas
Por onde reinas
Gorjeias teu canto
sem que eu saiba
como fazias comigo
há tempos atrás ?

Por onde voas

meu passarinho
ganhaste asas
deixaste o ninho

Estás tão longe

que nem imagino
se viraste lobo
em noites de lua cheia
ou se estás bem perto
sendo minha sombra
na areia

Procurei-te ansiosa

entre os mortais
 contemplei olhos mil
desejos vil
mas nenhum outro
me fascinou

Decidi ser andorinha

continuar minha sina
voar sozinha
Adentrar desertos
chãos incertos
oásis em mim...

Procurei por nós

em toda parte
embalei-me cânticos
delirei pesares
e em nenhum lugar
te encontrei

Espero que

chegues logo
que sinta meu pranto
que ouça meu canto
de flor e ave

Espero que venhas breve

não deixes que aumente
essa dor pungente a me sepultar

 





Adriane Lima


Arte by   Jeff Barson 

sábado, 29 de outubro de 2011

Pássaro azul





Tenho em meu peito um pássaro
e ele sabe que não pode sair
lá é escuro e suas penas coloridas
são luzes que me aquecem.

tenho em meu peito um pássaro
e quando deito em meu leito
sei que adormece comigo
seria um castigo deixa-lo partir

pássaro azul
te digo que aqui fora
quando surge a aurora
ouço teu gorjeio
então perco os
medos porque sei
que estás em mim
como a luz
do dia de vem vindo

anseias liberdade?
mar ancorando barco
em fim de tarde
céu aberto
sem nuvens

Eu sei...  
por puro egoísmo
não te deixo partir
tuas penas em meu peito
é o aconchego onde
depositei os sonhos

ali, macia
e ternamente repousa
com cuidado, o meu amado


 
 
Adriane Lima

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Conto :Peixes e Romances


Quem nunca viveu um romance leve,desses que enlouquecem pelo bem e pelo mal que pode nos fazer...

E foi assim, que ela olhando aquele homem ,tão menino,pensou:ah, vai ser apenas um romance de fim de férias.

 Ele com cara de rebelde,costeletas largas.,cabelo com gel,cigarro no canto da boca...estilo:"James Dean"...

 Ela mulher moderna, livre, não querendo nada que lhe desse rédeas e muito menos altares.

 Resolveram então,namorar...

 E lá se foram entre conversas,passeios de moto,mil viagens,festas, amigos, churrascos(epecialidade dele),e assim  a vida estava o "romance Ideal.".

 Ele era um cara "prá cima",era tudo que  uma mulher precisa para ter uma leveza, após lutas entre antigos namoros pesados, envoltos em ciúmes e cobranças que era o que ela mais detestava.

 O que poderia então ser melhor do que esse romance...livre,leve,solto...nada melhor do que "brincar de amar"...

 E assim foram meses, o verão acabou, o aniversário dela chegou, e lá estavam eles ainda juntos...a paixão já se instalando,

 E ai as coisas já mudavam todo ar...o fato de que ele mais morava na casa dela do que na dele,não se desgrudavam mais.

 Dias, noites, madrugadas, casa,trabalho,festas,aniversários..onde um estava lá estava o outro...

 Ai, as coisas começaram a pesar...o cara solto, rebelde,mostrou-se o carente, o que grudava e nem a deixava respirar, ver as amigas, ter seus momentos de solidão.

 Estes só existiam após muitas brigas e pedidos para que ele fosse embora....e a deixasse respirar!!

 E ela sabia que mais uma vez teria feito a escolha errada, a vida tentando escapar,a felicidade já não estava mais ali naquela relação.

 O peso das cobranças eram maiores.E nem teria como querer consertar!!

 E um belo dia ela resolveu fazer a ele um desafio : um teste para saber se ele sabia cuidar de um ser frágil,no qual ela comparou ao amor...

 Deu a ele um peixinho dourado com  o nome de Max,e explicou que o peixe assim como o amor,é fragil...se for muito alimentado,ele iria adoecer e se não fosse alimentado também,que ai sim enfraqueceria.

 Mostrando o equílibrio entre o excesso e a escassez.

 E que a água deveria ser trocada todos os dias,significando a renovação...  
As coisas novas que devem ser acrescentadas aos romances diariamente.

 E após essas explicações o acordo foi feito.Era preciso que ele entendesse que o "peixinho" era como o amor deles,frágil e que precisava de doses certas para continuar a existir,com certeza ela confiaria mais para continuar dentro dessa relação um tanto quanto desgastada.

 Ele 11 anos mais jovem  que ela tinha entendido a brincadeira proposta e achou graça dizendo que faria tudo direitinho.

 Uma mulher astuta,que sabia mostrar o que queria entre brincadeiras e analogias,nunca imaginou a isso a idade pesar,mas, a idade interna ,da vivência essa era certa ,serem bem distintos,pela fortaleza dela e fragilidade dele.

 E assim seguiram...sabendo ser ele "compulsivo",em suas atitudes, o peixinho era alimentado sempre no mesmo horário e na quantidade certa, isso por uns 2 meses..
Até que um dia ,ele acordou cansado de ter que dar apenas um pouco de ração e encheu o aquário de comida e o peixe pobre coitado ,acabou redondamente morto."o que ja era de se esperar....


E foi o tempo que o romance aguentou....morreu...!!!


Morreu como o pobre peixinho....assim  "estufado"por tantas carências,cobranças,excessos....o peixe também se "estufou"



..E assim ficou a lição...


Peixes...Romances...


Precisam da dose certa entre: razões e rações....

 Caso contrário todos se perdem em excessos e não se tem como voltar atrás...






Adriane Lima

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Passeio de língua



Língua é feminina
extermina caminhos
de vieses , laços
traços do desejo
a saliva desliza
após o beijo

Feminina
lambe, alucina
permite ensejos
transcende paraíso
rende constelações
sabor de estrelas
migalhas de astros
espaços de nebulosas

Feminina
banha a alma
acalma  a pulsação
escuridão do quarto
leveza de entrega
tentação solta
dos pés a boca
caminho de furacão

Feminina
tulipa flor
fechando umbigos
lavando possibilidades
sentindo o perigo
escancarada
sobe e desce
na pele
lavando a vida

Língua
artesã de contornos
tateante
serpente
com gosto de
suor e sal ...




Adriane Lima

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Mar amar

 
Dormir em concha
enquanto se é mar

mar de dentro
amar por fora

romper aurora
em teu navegar

sentir a onda
em tuas pernas
entrelaçar

amar
se aprofundar
emaranhar
num mar

que vazou em mim


 
 
Adriane Lima

Para inglês ver e ouvir



 

Você nunca saberá que meus dias
nasceram para você
Minhas mais ordinárias histórias
eram de febres buscando teu prazer

Eu via flores em tua face
Imaginava pétalas espalhadas
entre os lençóis de nosso despertar

Não você nunca saberá
Que já vesti a camisa de teu time
Sem ao menos de futebol gostar.

Que fiquei horas olhando tua foto
Absorta em meus anseios
Imaginando em que braços você poderia estar

Ah, meu "Moon River" inatingível
Eu atravessarei você com elegância
Meu desejo mais profano e incontido
Anjo caído do céu de meus enganos

"Moon river and Me"
Meu quadro sempre será em branco
Tela inacabada entre o figurativo e o abstrato
Indo a deriva de minhas subjetividades espontâneas

Você nunca saberá que dei minhas mãos
para você me conduzir em um tango Argentino
Passos sem demora,corpos colados
Nexo de igualdade,sem domínio
Era você o meu destino

Tarde demais para qualquer canção
Fantasia criada de minha
personificação.
Deusas,em mim habitam
Ora Afrodite,ora Perséfone

Atada entre o real e o desconhecido
Conduzida pelo ego evocando
Seus desejos escondidos.

 



Adriane Lima


 Arte by Valery Benidikin 

Céu e pecado



Tristeza não é pecado
Todo mundo sabe disso
Só tem medo de falar
Qual convênio vai cobrar
tua carência de amar?

O inferno não tem muro,eu juro
Eu sei de tua ferida aberta
Mas eu tenho a palavra certa
Para te consolar

Mas você, é sempre tão carente
E me vê feito a serpente
Pronta a te envenenar

Eu perdi o paraíso
Mas se ainda for preciso
Volto para te buscar

Felicidade hoje é propriedade privada
Por alguns pouco usada
Por não saber como chegar

O céu é divino, meu menino
Basta acreditar
Mas se você preferir
Estou aqui pronta
Para te fazer pecar






Adriane Lima

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Crônica:" A lenda pessoal e o amor".

 
 
 
Eu tenho pensado muito na vida, confesso...essa época em que a idade faz a gente trombar com a realidade e ouvi-la falar: "mocinha , teu tempo está passando, você já viveu tantas coisas  em teu caminho e em todos os sentidos,você já teve os melhores amigos,foi nas melhores festas,morou em belas cidades, teve grandes amores,paixões,teve filhos,plantou árvores,pintou quadros,viveu mentiras,viveu verdades.
Faça uma pausa ai no tempo e reveja onde você seguiu por caminhos certos, onde fez o errado em sua lenda pessoal.
E o que era um simples modo de ordenar a vida e entender melhor sobre lenda pessoal ,escolhas ,amor,caminhos,foi se tornando uma descoberta fascinante entre meu "eu e o momento".
A resposta parece estar na necessidade de um frequente mergulho para dentro de nós mesmos e buscar compreender a essência de nossas mais profundas aspirações, o ‘conhece-te a ti mesmo’, para só a partir daí, fazer escolhas coerentes, definindo como prioridade aquilo que tem significado verdadeiro para nossa vida.
Isso, no entanto, não é algo tão simples de colocar em prática, tendo em vista o medo daquilo que possamos vir a descobrir, ou mais grave ainda, ao descobrirmos, nos darmos conta de que não teremos coragem para realizar aquilo que pede nosso coração.
Mas tantas histórias vieram parar em minhas mãos que vi que isso é bem mais que um ato filosofal,é uma atitude quase "junguiana" de inconsciente coletivo.
Ai comecei a ler mais sobre tais assuntos e achei incrível algumas questões uma delas diz o seguinte:
O inconsciente coletivo se opõe ao inconsciente pessoal, o qual poderia se manifestar na produção de sonhos.
Desta forma, enquanto alguns destes têm caráter pessoal e podem ser explicados pela própria experiência da pessoa, outros apresentam imagens impessoais e estranhas, que não se consegue associar a nada de que se tenha lembrança.
Esses sonhos seriam então um produto do inconsciente coletivo, algo como um depósito de imagens e símbolos, que Jung denomina arquétipos.
Seria deles também de onde se originariam os mitos.
Quando Joseph Campbell, o mais conhecido estudioso de mitologia de nosso tempo (e autor, entre outros livros, do excelente "O Poder do Mito") ,criou a expressão "siga sua benção" ele estava refletindo uma idéia cujo momento parece ser igual ao que Paulo Coelho em o Alquimista está sob o nome de Lenda Pessoal.
É necessário distinguir  que aqui não quero "divagar" sobre  fatalismo e determinismo.
Não quero ser nem fatalista ,nem determinista...
Quero apenas acreditar que existam Lendas Pessoais!!!
O fatalismo, compreendido como uma doutrina em vez de uma atitude, pode assumir mais do que uma forma.
A idéia de que existe um tipo de força  a controlar o nosso destino é para nós a mais familiar, porque é central em muitos mitos gregos.
Todos buscam essa lenda como buscam o ar que respiram, e não baseado em um sistema autônomo e sim em lutas "límbicas" no mais puro sentido da palavra.
Digo, límbico porque é esse sistema  que comanda certos comportamentos necessários à sobrevivência de todos os mamíferos.
Que também cria e modula funções mais específicas, as quais permitem ao animal distinguir entre o que lhe agrada ou desagrada.
Como andar e ir atrás de seus desejos , seguir instintos e fazer planos, ter vontades, medos,tristezas.
...Tudo isso acelera ou desacelera a busca de cada um.
É fato, o cotidiano nos atropela às vezes, mas perecemos se não tentarmos encontrar outros caminhos, essa é a vontade de todo ser, não caminhar por esse caminho sozinho e por isso coloco aqui o amor como lenda pessoal de cada um.
Mas, aqui entram dois grandes "vilões" nos quais lutamos diariamente:razão e emoção(coração).
A alma, também chamada na antiguidade de coração, é a essência daquilo que somos.
Por conta disso, é natural que nossa alma ou coração carregue seus próprios modelos e tenha seu próprio jeito de ser.
A felicidade humana parece depender de um terrível paradoxo; o de estarmos condenados a viver divididos entre a possibilidade de realizar os mais belos voos de nossas almas e o cativeiro das imposições que definimos como padrões; uma decisão que pode implicar em estarmos abrindo mão daquilo que temos de mais precioso: a liberdade de ser.
O que chamamos de razão não passa de um modelo construído por regras que decorrem de um pensar coletivo, resultado do instinto de agrupamento que desenvolveu o homem, em sua luta pela sobrevivência, visando superar adversidades ao longo da história de sua existência.
E sempre esteve nas mãos de cada um escrever a própria história de Amor e de Lendas
E através da história  fui me lembrando de amores famosose suas lendas pessoais.... 
Júlio César e Cleópatra,
Tristão e Isolda,
Romeu e Julieta,
Rodin e  Camille Claudell,
Anais Ninn e Henry Miller e tantos outros....
Todos esses amores foram baseados em paixões,cumplicidades, lutas e buscas de caminhos pessoais para estarem juntos.
Todos procuravam sua forma de amar melhor e assim seguir a felicidade.
Foram todas histórias lindas, sem sombra de dúvidas mas, nenhum amor mesmo que avassalador desses citados,deu certo.
Ai, nessa hora parei e pensei...por que?
E aqui Paulo Coelho caiu feito uma luva...
"Uma coisa é você achar que está no caminho certo, outra é achar que o seu caminho é o único.
Nunca podemos julgar a vida dos outros, porque cada um sabe da sua própria dor e renúncia..."
Cada história é única, cada qual ama a sua maneira e luta com suas armas internas.
E a vida....a vida continuará sendo um milagre que não pode ser repetido.
Creio na vida e no amor enquanto " lenda pessoal " sendo um ato individual,como o nascer e morrer..
Amamos o outro mas, estamos sempre sozinhos e por isso muitos amores não dão certo.
Mas, ai tem os que se acovardam,os que não buscam a lenda, não buscam o amor e passam uma vida inteira em sua confortável polidez de sentimentos...
Conjugando os verbos assim:eu não te cobro,você não me machuca,nós não nos ferimos e nem nos amamos...Amém !!!
Viu, como não é dificil passar do crédito para o descrédito!!!
Tem muitos ai que não suportam a instabilidade dos sentimentos no outro, nunca sabem a hora certa de dizer o que sentem,
a hora certa de se mostrarem humanos e acabam paralizando-se nas verdades.
Mas, é claro que ninguém deve entrar em uma história se não está disposto a ir até o fim,seja ela boa ou ruim.
O processo é esse mesmo, o começo todos sabemos...mas o final...só vivendo.
Por isso viver o amor como lenda pessoal é entrar em um processo de coragem...de valentia mesmo!!
E tem coisa melhor? Na lenda pessoal de cada um a coragem é tudo....
Oscar Wilde dizia: "A gente sempre destrói aquilo que mais ama".
E é verdade. A simples possibilidade de conseguir o que deseja faz com que a alma do homem comum encha-se de culpa.
Ele olha a sua volta, e vê que muitos não conseguiram, e então acha que não merece.
Conheço muita gente que, ao ter a Lenda Pessoal ao alcance da mão, fez uma série de bobagens e terminou sem chegar até seu objetivo - quando faltava apenas um passo.
Medo,culpa,baixa estima,insegurança,falta de fé,falta de confiança...(puxa dá para arrumar um bocado de sentimentos ruins aqui,que gerariam esse fracasso).
Sempre que um homem faz aquilo que lhe dá entusiasmo, está seguindo sua Lenda.
Acontece que nem todos tem coragem de enfrentar-se com os próprios sonhos e assim amar de verdade.
Mas,vamos pensar em amores que deram certo e que seguiram suas lendas pessoais....
Tenho alguns que cito por pura admiração :
Salvador Dali e Gala :
Você pode não acreditar em amor à primeira vista, mas Salvador Dalí bradava aos quatro ventos que sua paixão por Helena Diakomonova, ou apenas Gala, tinha acontecido dessa forma. O encontro aconteceu no verão de 1929, quando Gala e seu então marido, o poeta francês Paul Éluard, foram visitar o pintor espanhol. Dalí narrou o início desse amor: "No dia seguinte, eu fui buscar Gala e nós fomos passear nos rochedos de Cayals (...). 'Meu menino', disse ela, 'nós não nos separaremos mais'. Ela seria minha Gradiva, minha Vitória, minha mulher". A partir desse momento, Gala passou a fazer parte não apenas da vida de Dalí, como também de suas obras, servindo de modelo para as mais diversas personagens retratadas em suas pinturas. 
A morte de Gala, em 1982, tirou a vontade de viver do espanhol, que permaneceu recluso no Teatro-Museu Dalí, na cidade espanhola de Figueres, até falecer em 1989.
Viveu e morreu  sua lenda pessoal de forma gloriosa.
Com coragem, loucuras,fé e todos os sentimentos que um ser humano possa provar e sentir-se vivo,tanto que  após perder sua amada não produziu mais.
Outro caso de amor que me inspira muito:
Jorge Amado e Zélia Gatai:
"Aquela ali vai ser minha mulher", apontou Jorge Amado para o amigo mineiro Paulo Mendes Campos durante um jantar do I Congresso de Escritores, em 1945. A escolhida era  Zélia Gattai. Convencido de sua paixão, o baiano tentou, tentou e, em julho do ano seguinte, já morava com Zélia. Maus agouros acreditavam que o romance não duraria mais de seis meses, mas resistiu bravamente até a morte do escritor, em 2001. Zélia sempre foi a companheira número 1 de Jorge Amado: acompanhava-o em viagens políticas e, no exílio ,
 Assim como nos romances de Jorge Amado, a despedida do casal não poderia ser menos ficcional: após a morte do escritor, ele foi cremado e suas cinzas espalhadas ao pé de uma mangueira no quintal de sua casa, em Salvador."
Não preciso dizer muitas coisas sobre o amor deles,eles mostraram tudo!
Eles viveram até o fim o que a vida os presenteou,sem covardias e sem o duelo entre razão e emoção.
E por ultimo cito John Lennon e Yoko Ono,um amor difícil pois Lennon já era casado,mas, a paixão deles foi mais forte,e no final da década de 60 os dois se uniram em Gibraltar e protagonizaram uma lua de mel digamos; politizada.
Em Amsterdã uma das paradas da viagem eles deitaram nus por sete dias em um quarto de hotel,pedindo a paz mundial.
O protesto ficou conhecido como:"Bed in Peace", e assim seguiram esse amor,tumultuado,cheios de episódios de guerras e bandeiras,propriamente dita,e até o assassinato de Lennon em 1980,esse amor é tido como um dos mais duradouros da história de amor entre famosos.
Após entender que lendas podem dar certo ou não, que escolhas podem vir da massificante idéia de padrões que impomos a nós mesmos,vejo que nem sempre somos o que realmente somos...
 
Acredito que,nunca é demais lembrar que algumas dessas escolhas implicam decisões recíprocas e nesse momento o melhor é não criar expectativas que possam produzir desilusão que torna o existir pesado, a ponto de se transformar amor em ódio, alegria em sofrimento, beleza em frustração.
E para finalizar cito um texto onde o autor diz:"A vida é um fluxo de decisões e nisso se resume a "insustentável leveza do ser",uma ópera cujas páginas escrevemos a cada dia;muitas sob emoções contidas,palavras suprimidas e finais que vão se modificando a cada minuto;porque sabemos que nessa peça somos ao mesmo tempo atores e platéia,mas somos especialmente os autores dessa história.(Maurício A.Costa/Mentor Virtual).
A grande verdade é que saimos de tudo isso com a certeza de que nem sempre a vida e nem as lendas pessoais saem como sonhamos,idealizamos.
Mas,a vida é o aqui,o agora ,o "Carpe Diem" nosso de cada luta,cada instante vivido e saboreado com intensidade.
E você???Está vivendo sua lenda pessoal???
 
(**Alguns trechos citados foram retirados de pesquisas no google)

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Cores Internas



O mistério do divino
passa a ser desatino
ou uma marca do destino de ter olhos de procura

Pássaros coloridos
borboletas desavisadas
jardins na madrugada
tudo a perfumar
a orquídea que floriu
na árvore escondida
fechando a ferida
do tronco reto e sem graça

Humanos ,sem cores,sem flores
fazem tatuagens colorem a pele
mas , não percebem
a natureza que os rodeia

Toda a beleza é interna
sua cor está no olhar sensível
sobre os detalhes da vida
na retina de quem sabe amar

A magia do Olimpo
dos deuses acordados
estará no garimpo
de quem souber se revelar

Sorte ou azar...
 
 
 
Adriane Lima

Possibilidades...




Queria ofertar aos deuses
minha serenidade
meu coração
minhas utopias
minha forma de pisar o chão

talvez assim com
secretos acertos
dar o que não me serve
e receber o que me cabe

me cabe e que ficou esquecido
me sinto infeliz e pobre
até hoje não entendi
por que amar
é a utopia mais nobre

Oh,deus do impossível
do acaso e semelhança
se és mesmo esse senhor
me faça de novo criança

Quero voltar aos céus
e vir de novo ao mundo
em forma de tempestade
nascer em frente ao mar
e morrer de eternidade






Adriane Lima





Imagem retirada da net

Alma em Nós


Liberdade 
é o que minha alma pede
mas meu corpo fica parado
ansiedade dona da verdade
vem e me invade
dentro de mim neva
e nas palavras chove

meu sonho absorve
o que poderia ser inteiro
eu metade fico
metade vou

entre corpo e alma
razão e coração
lucidez e loucura

Voo inteira
Sem beira nem eira
Vou-me inteira
derradeira

E com os olhos de novidades
mergulho profundidades
verdades, arrancarei um dia

A imensidão de meu grito
tocará o infinito e assim
estarei completa

E desse imenso voo
sairá a nostalgia
entre minha condição
de pássaro e poesia

 
 
 
Adriane Lima

Amar não dói



Talvez amar demais
seja mesmo um erro
um nó que se enrosca
em ponta de novelo 
 
que demora a desembaraçar
entre os dedos
e o coração pula fora
de medo  
Amar é semear
palavras no peito
de quem tem campos
para florir
e na ânsia de viver
colhe tempestades
em segredos  
Calar-se diante
da resposta é
para quem não
tem fundamento
e não é flor
nas asas do tempo 
Se torna atemporal
em pensamento
finos papéis ao vento
sendo levado por
sentimentos
de amar e complicar  
Amar por amar
sem a vida explicar
a vida sem pensar 
Há vida em aceitar
o forte gesto, do excesso de Amar

 
Adriane Lima
 
 
 
 
 
Imagem retirada da net

Amor em Conserva




Tem dias que nascem assim
derramando poesia em mim
banho-me de pensamentos
e de momentos intensos
lembranças do que poderia
compor as noites e os dias
e certas palavras me invadem
e vou caminhando por espaços
buscando trazê-las no papel
por para fora essas vozes
que me são jogadas do céu
verdades vêm a tona
do que não ouso falar
e o impossível de dentro
me visita aqui fora
e o medo é a certeza do nada
e a filosofia da vida se torna
então minha amada
matar a palavra
para não morrer
escrevo versos acima da estrada
do que sou eu
e os abismos
tão fora,tão dentro

amor guardado em pote de conserva
fazem lista para as palavras de sobremesa...
 
 
Adriane Lima


Arte by Stanislavas Sugintas

domingo, 23 de outubro de 2011

Viagem dentro do espelho




Através de um espelho
Ela via imagens refletidas
estranhas ,confusas
... premonição da morte
ou encontro com seu eu...(?)

Dama desfalecida
Etérea,buscando ar
Véu,manto fugaz
Dama das camélias

Estrela em céu solitário
Paz esquecida entre astros
E adornos

Alma na ponta dos dedos
Fundem
ajustam
modelam
retorcem

São apenas gestos
Por trás deste espelho
Fugas inconstantes
a segurar os dedos de Deus


 




Adriane Lima

sábado, 22 de outubro de 2011

As questões da saudade...



Há muitas espécies de saudade
por isso impossível traduzir
saudade de ouvir a voz
de escutar a gargalhada
de sentir o cheiro
de mirar os olhos

Eu nem sabia que a saudade
Era tão marcada
Eu juro nunca pensei
que doesse tanto
nas madrugadas

Como uma canção
Que nunca mais soa
Como uma visão
Que não perdoa
Como uma lembrança
Que magoa

E mesmo assim me visto
de visões que tive
como uma criança
escondida embaixo da mesa
esperando a chuva passar

Não temendo a alegria
De um milagre
tão normal






Adriane Lima
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