sexta-feira, 24 de março de 2017

Eterno



Algumas madrugadas
nunca acabam
perfumes de histórias
permanecerão 
entre os lençóis da memória








Adriane Lima








Arte by Ágata Endo

Filosofia Poética XIII



Que todas as manhãs dance em nós a estrela bailarina,
entre acordes de sorrisos, como se fosse dia de festa.
Para que possamos apreciar a arte de estarmos vivos,
juntando desafetos, mágoas, e entre um passo e outro
transformar tudo em rodopios de levezas!!!













Adriane Lima






Arte by Cristina Fornarelli


.

Filosofia Poética XI



Levezas, diante desse imenso ponto de interrogação que é o futuro, claro que, incertezas estarão presentes entre os mais sólidos desejos.
Só não se deixe levar por uma triste frase que diz assim : -"durante sua jornada você conhecerá muitas máscaras e poucos rostos.
" Reformule -a e acredite em sua intuição.
Só se mostra de verdade aqueles que confiam, aqueles dispostos a partilhar dessa imensa viagem chamada vida, os demais, apenas aproveitarão as paisagens...




Adriane Lima


















Arte by Galya Bukova

quinta-feira, 23 de março de 2017

Asas de mim



Nasci pássaro
é na dobra de asas
que guardo afetos
eles nascem do que retenho
e não mostro para ninguém









Adriane Lima








Arte by Marina Diel 

Incômodos



Dona do sangue
e do abismo
onde encontra forças
para segurar nas mãos
todos os pedaços fatigados
de suas dores?

Ensurdeceste bem sei
e de pedra virou seu peito
cada palavra em poesia
oferece a leveza da crença
no dia a dia





Adriane Lima







Arte by Vitto Lolli

Acontecências



Sei que para você
não passo de um corpo
branco, liso
marmóreo

Esse corpo mármore
em que suas mãos moldava
cada entalhe e sentia
que eu estremecia a carne

porém,a alma não 
essa nem estava ali





Adriane Lima










Arte by Titti Garelli

terça-feira, 21 de março de 2017

A epiderme cálida



Lateja in memorian o que sinto
a carne de outrora
não satisfaz mais o desejo
o mundo se acostuma
ao que é do homem

Volúpia consumida entre dedos
escorre por todo corpo
indiferente a dor alheia
que sabíamos ser o escape
ou solução ao segredo

Se pudesse encontrar uma palavra
que descrevesse tudo que penso
dessa vaziez de sentimentos

Cárneos, olhos carmim
o cheiro do desconhecido
nos corpos nus amanhecidos
sonhamos ser o que não somos

A carne saída do cotidiano espelho
carne da tua carne
eu não a adentro, ela adentra em mim

Penumbra difusa que atravessamos
projetada no vil entalhe 
que já não importa tanto
o que tínhamos em mãos 
era tão mais significativo

Vocifero o que não pode ser domesticado
a dor, ao que verdadeiramente sentíamos
era gozo de alma, na leveza que aos poucos
habitavam seus olhos ternos 
e foi morte aos atos provisórios de outros

hoje mundos desabam onde
a carne respira mesmo distante
entre ensejos falaciosos e indiferentes




Adriane Lima



Arte by Cristhina Fornarelli


sábado, 18 de março de 2017

Prosa para pessoas sensíveis VIII



Sentada entre nuvens da tarde, o silêncio veio perguntar:
Sabia que o colibri sabe cantar? 

Sujeito sem tempo não pode escutar. O meu espanto imediato, falou mais que o barulho de um pássaro a trocar seu compromisso com o mundo, nele detém o poder em cada voo solitário ou não (o canto), enquanto eu percebo suavidade na rapidez do gesto o voo, tudo que muitos olhares nem sempre alcançam.
Eu queria fazer parte disso, enxergar diariamente o sol nascente.
Me basta ouvir o canto do colibri, ver o pulsar do dia, colher as digitais de um anjo, sentir o vento elevar as folhas e você ainda quer que eu entenda o que vi e ouvi nesse dia...?
De certo tudo deve estar sendo o que é !!! 
Sim: CANTA, eu respondi.



















Adriane Lima










Arte by Nik Helbig

sexta-feira, 17 de março de 2017

Essência divina



O que pensar
desse tempo, dessa vida
uns com fome de ser
outros com sede de existir

empresto meu olhar
a tudo que vejo
doar a alma é pouco
diante do que desejo

meu mundo não cabe
nos braços do pensamento
bate asas quer voar
cria um silêncio crepuscular

nesse mar de divindades
eu delicadamente a descansar
já que morrer é tarde








Adriane Lima








Arte by Galya Bukova

segunda-feira, 13 de março de 2017

Entre laços e luas



Olho hoje seu rosto
tão diferente de tempos atras
como se hoje
sua luz não existisse mais

como ter olhos para
teias tão frágeis
onde enveredava-me
tamanha admiração

esquecer o que não
nos convém, é dor
leve e silenciosa
cheia de urgências
em um amor de lentidão

ainda estamos de mãos dadas
de almas devoradas em algum lugar escuro

onde a lua chora nossas mágoas










Adriane Lima








Arte by Galia Bukova

Onde habitam as asas



As paredes de minha casa
cansaram de ouvir
falar de solidão

Descascaram-se
em lágrimas de
tintas enternecidas

Acordaram buscando sol
nos mofos das retinas
onde doía em silêncio
a desistência da vida

Entre noites escuras
abraçavam dores vazias
de pares e pés unidos

Nas paredes dessa casa
rachaduras de histórias
caladas entre curvas

Corpos que se transformaram
em fantasmas e vivem
a espera do tempo

Casa:- lugar onde habitava o sol
sem paredes 

e minhas aves de arribação



Adriane Lima







Arte by Galia Bukova

terça-feira, 7 de março de 2017

Para onde vai o que tem pressa



Se ela chora por amor
é frágil
se ela age com paixão
é impulsiva
se ela grita seus sentimentos
é histérica
se ela se mostra de verdade
é fantasiosa

qualquer coisa é motivo
para um sentimento levar a outro

Mulher
o que pode ter um ponto,
um desconto, um senso
um contra senso

Mulher
onde é teu paraíso
inferno se compõe
na mira eterna de olhos
que não sabem distinguir
tuas nuvens

Mulher
veias onde correm sentimentos
onde as razões não merecem
pesares pelo teu voar

Mulher
estrela maior
visitante das ruas
que se auto devora

Mulher
dona de todo e qualquer espaço
onde se mistura
a insustentável leveza do
que chamamos Amor






Adriane Lima







Arte by Paul Lovering

Onde dormem os sentidos



Não me venha com poemas
nem flores, nem palavras ansiadas
pela fragilidade do dia

não me venha falar de amor
o platonismo de Rimbaud
não me encherá o peito em suspiros

jamais a esperança sem movimento
na pele, na alma
sinto um mundo que arrepia
em cada silêncio que grita

não me venha com poemas
neste dia que me declaro fêmea


hoje,meu único desejo
é que sente-se aos pés
de meu coração e
com toda sinceridade
troque de lugar com a verdade

mesmo tarde, foi uma das
melhores coisas que fiz
mergulhar na vaziez dos dias
olhando meu reflexo na água
da mais pura fantasia
que é escrever poemas






Adriane Lima



Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...