terça-feira, 9 de junho de 2015

Catedral de espelhos

 
 
Alguma coisa em mim
observa atenta
os movimentos do mundo
parado em seu próprio umbigo
 
solitária penso que existo
no coletivo sinto que adormeço
pela essência desdita até aqui
 
não compactuo
com inúmeras coisas que vejo
e me falta coragem para o grito
 
a blasfêmia anda solta
sem as rédeas do tempo
carroça enfeitada
por flores já mortas
 
os falsos profetas
incendeiam o povo
com doces palavras
na boca do forno
 
a emoção
anda solta em minha pele
e liberto o trunfo
de ser poeta na liberdade
entre os dedos
 
escrevo poemas
para não esquecer
em qual inferno tranquei
meus medos 
 
 
 
 
 
Adriane Lima
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Arte by Juan Manuel Cossio 
 

O medo dos peixes




Queria pescar o amor
com uma rede miúda
traze-lo para minha praia
de mulher-sereia desnuda


que entoa uma canção
em noite de lua cheia
guardando o pó das estrelas
entre as mãos das lembranças


queria um lugar
que se parecesse
com o que eu precisava
em minha eterna sede de buscas


fazer o amor respirar acordado
embevecido da misericórdia
daqueles que nutrem a esperança


acontece que acordei muda
fomentando minha independência solitária
e alma inquieta


hoje o amor não passa de um fiapo
e não há rede que o proteja
das tramas da brevidade
que sempre nos escapam em cardumes





Adriane Lima








Arte by  Crhistin Schloe





















Nada por mim

 
 
Ando cansada
de fazer poesia
para alguns anjos caídos
de um céu dolorido
e de mentiras
onde afronto
meu sentimento de espera
dobrando apostas
e intuindo abandonos 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Adriane Lima
 
 
 
 
 
 
Arte by  Tomasz Rut
 

A sensível arte de voar




Ando temendo
ser passarinho

voar em minhas culpas
sem ferir carne alheia

saindo dos costumes
que cheira a incompreensão
das aves de rapina











Adriane Lima










Arte by Shelby Robinson 

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