sábado, 31 de agosto de 2013

Sopro do tempo

 
 
 
Há o enigma do sentir
entre o conviver
e o despedir
há o intervalo
entre semente
e fruto
entre fugas
e conselhos
há flores
antes mesmo
da primavera
 
sorrisos ou lágrimas
gestarão futuro
 
não,não há controle
sobre o amor e o universo
 
 
 
Adriane Lima
 
 
 
 
Arte by Omar Ortiz
 
 

A flor da espera



 
Dois corpos
afãs de um desejo
duas almas
a dançar em descompassos
do teu silêncio
nasceu o meu cansaço

 

 

Adriane Lima




Arte by  When Shuan Hun

Diferença poética

 
 
Não faço números
faço poemas
há entre nós
o dilema:
 
amor com amor
não se paga
 
 
 
 
 
 
 
 
Adriane Lima
 
 
 
 
Arte by Vinn Zeep
 
 

Atirador de facas

 
 
 
 
 
Fácil ser o alvo
para a palavra que é seta
poesia é dor concreta
onde todas as línguas são iguais
 
 
 
 
Adriane Lima
 
 
 
 
 
Arte by  George Portz

Impotência de nuvens

 
 
Te roubei dos meus sonhos
sonhei mais que podia
acordei nesse dia
alma cansada
de mãos vazias
 
 
 
 
Adriane Lima
 
 
 
Arte by  Alexander Shubin
 

O outro lado da história

 
 
 
Pode ser par
pode ser ímpar
pode ser drama
pode ser cama
pode ser pó
pode ser poesia
pode ser
só tesão ou fantasia
 
 
 
 
Adriane Lima
 
 
 
 
 
 
Arte by Alberto Pancorbo
 
 

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Retórica de fada


Não me venha
com fome de lobo
nem cara
de menino bobo
despertei meu lado
caçadora, nada indefesa
não queira ser minha presa

 
Adriane Lima
 
 

Recado poético

 
 
 
Que o amor me abrace
antes que eu ultrapasse
a tarja preta da dor
 
 
Adriane Lima
 
 
 
 
Arte by Lauri Blank 

Invisibilidade

 
 
Abrir os braços para ofertar
abrir as portas para viver
abrir a vida para amar
é morte certa
 
melhor brincar de poeta
 
 
 
 
Adriane Lima
 
 
 
Arte by Gianni Bellini 

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Flores poéticas






Você tem sido  flores
nas manhãs trazidas
enquanto eu plantava
dores em ilusões perdidas
 
- (a)colheu-me
 





Adriane Lima





Arte by Kim Nelson  

Poema do olhar represado

 
Envolto em dias
o afã da filosofia
olhar da nostalgia
o sonho a despertar

tudo são vivências
depositadas em carências
da vida por si bastar

o dia quando amanhece
faz do sol uma prece
para que a navalha
não venha cortar

o antigo internalizado
e o novo apenas sonhado

o coração
vai para um lado
a razão para outro
ecoam vozes
quando queremos
silenciar

mas a vida não tem jeito
é eterno sangrar no peito
de quem nasceu
para buscar

do irreal ao real
da escuridão a luz
do nascer e morrer
do ódio ao amor
da mentira a verdade
da tristeza a alegria

eternas escolhas binárias
possibilidades partidárias
debaixo do mesmo céu

de longe ficamos nós
buscando razões
calando vontades
escapando vazões

a vida é rio que segue
entre duas margens
escoando risos

 
 
Adriane Lima
 
Arte by  Kim Nelson

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Presentes e passagens


 
 
 
 
Existe o laço
que enfeita
o que não abrimos
existe o nó
que serpenteia
em minha garganta
entretanto
existe uma teia
entre nó e laço
existe a boca
mas nós, não iremos a Roma
 
 
 
 
 
Adriane Lima  
 
 
 
 
 
Arte by Alberto Pancorbo 
 

Filosofia Poética XII





Tens razão, sofro ao lidar com minha sensibilidade.
É tanto olhar me espreitando, é tanta verdade aqui sobrando, mas não me falta coragem para ir aprimorando o coração, para fazer valer, minhas verdades.
Meu olhar já sabe que é dez a zero para a realidade.


 




Adriane Lima







Arte by Alexander Shubin 

Alcançando galáxias




Eu acho que sempre fui poeta
nasci poeta e vou morrer poeta
pois sempre aprendi a respeitar
o que meu olhos enxergavam
aprendi a respeitar o brilho da lua
a iluminar o céu dentro da madrugada
a respeitar o barulho da aeronave
que cortava esse céu despreocupada
a respeitar o barulho de um grilo
nessa mesma noite enluarada
a respeitar o silêncio
de uma estrela quase apagada
a respeitar a nuvem que passava
nessa noite encobrindo a lua
a respeitar o cheiro
de uma flor quase esquecida
estou cada vez mais poeta
pois respeito o silêncio de um homem
em suas escolhas
prolongo histórias,para minimizar verdades
por entender do tempo
e seus intermináveis silêncios
viro dor para não virar fim
e ser só, poeta

 



Adriane Lima




Arte by Kim Nelson 

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Entre mares e asas

 
Vamos abrir o silêncio das palavras
esse ruidoso silêncio interno
lugares habitados por vazios
e banhado por dissonâncias

nada mais tênue que essa
linha imaginária
nada mais tênue que essa
frágil recordação

um segundo e o coração
se descompassa
um segundo e o sonho
se despedaça
um segundo e dor
se estilhaça

e vem o gesto , o movimento
o salto, o arrepio, a centelha
de saber-se viva sob esse
imponente céu de estrelas luzidias

prazeiroso alimento
que mantém a certeza acesa
os mistérios apresentados
a saborosa adivinhação

hoje não admito o sono
da comodidade
o pouco é tudo
que não me cabe

no papel não deixarei recados
o tempo não resiste a eles
estrelas se quebram
ao entrar na atmosfera

uma ponta desse brilho
desfaz-se no silêncio
da madrugada
ouviremos isso
um ponto forte
é reticente no lugar errado
ouviremos isso

há um mundo adormecido
desejando ser acordado
há um manto onírico
em todos os achados

ousaremos
quebrar silêncios
vamos nos encontrar
onde eles se perderam

basta respirar,respirar
e não mais, mudar de ideia

eu?
eu já fui embora por inteiro

 
 
Adriane Lima
 
Arte by Paul  Kelley

Onde reverbera o silêncio

 
 
Em teu sonho
de musa
nem te ocultas
em entrelinhas
se dá sem recusas

melodias inventa
em linguagem poética
corpo em oferenda
aos minutos da eternidade

cama à mesa
depois reze,reze...

entre o porre e a libido
bebei o vinho
que te cabe
e o pão em forma de libertação
daí aos poetas e mendigos

confesse aos anjos
e aos demônios
tua dose de heresia

se vives de
versículos e versos
tão rimados
seria único
o teu amor amado

oh, heresia disfarçada
ovelhas em pastos doces

nutres ansiedades
foge dos limites
que a mantém acesa

não pela fé
e sim, pela certeza
de que até de sutilezas
vivem os descomungados

na poesia há paraíso

 
 
Adriane  Lima
 
 
Arte by Brita Seifert 

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Para entender de abismos





Eu entendi o tempo
e suas visões
entendi o olhar do homem
em sua cadeira de rodas
sendo conduzido
pelo olhar da obrigação
entendi o olhar da mulher
em sua melancolia
sendo conduzida
pelo olhar sem companhia
entendi o olhar do cão
em sua solidão
sendo conduzido
por sua espera no portão
sempre
a dor exposta
a esperar a resposta
sempre
esperar pela lógica
sempre
esperar pela ótica
do que vai em nosso interno
esperar pelos outros
é buscar o nosso inferno

 

Adriane Lima







Arte by  Catrin Stein Welz

A arte do esquecimento





Por várias partes
a gente parte
reparte em arte
em migalhas
em pétalas
em estrofes
em estrelas
em epigrafes
em lembranças
em tudo
que poderia
ter sido olvido ....

 


Adriane Lima




Imagem retirada da net 

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Poema em questão

 
  Eu tenho fé
e não duvido da existência de Deus
Mas, nunca faço a pergunta:
Será que Deus vai me recompensar?
por ter sido honesta
por ter seguido sonhos
por ter dado amor incondicional
e estancado tantas feridas
Não eu nunca faço essa pergunta
se há um Deus
ele saberá onde por a ordem absoluta
Até os loucos sabem
que não devem haver perguntas

 
 
 
Adriane Lima
 
 
 
Arte by Roberto Ferri 

Descaminhos



tem dias que sou o conto
n'outro a própria fada

cheia de tudo
tudo de nada

tem dias que sou comboio
n'outro a própria estrada

 
 
Adriane Lima
 
 
 
Arte by Julien Conquentin 

Campo aberto




Há um certo grau de permissão
entre a luz e a escuridão
entre a realidade e a ilusão
entre a bondade e a maldição

há um certo grau de perversão
entre a vontade e o tesão
entre o amor e a paixão
entre a alma e o coração

há um certo grau de miopia
entre o amor e a covardia
entre a loucura e a catatonia

é o limite
é a aceitação
é o calar
é a provocação

é quando tudo pode se perder
ou também pode se encontrar

 



Adriane Lima





Arte by  Alexandra Manukyan

terça-feira, 20 de agosto de 2013

O caminho do meio



Um grito ao luxo
decomposto
o que já foi vivo e ruiu
sucatas do desejo
pretensão de casa

onde ordenar o universo
onde eclodir terra e céu

olhar sobre o muro
frestas em janelas

o escuro
o escuro

fede o guardado
não há paz de onde venho

herança hermética
a virtude, só a passeio
trajando gala
buscando um meio

como escancarar o falido
como parar o estampido
proteção por gerações
sementes em solo árido
recomposições

ponto de referência
união entre o abismo
e o começo

os dejetos,as sobras
são fósseis da vida
escavações em ruínas
a procura do que houvera

o antes, o renascido
o melhor de mim
de quem era ?


Adriane Lima
 
 
 
 
Arte by Catrin Welz Stein 

Nua





Despertei assim
esquecendo meu latim
e um quê de educação
mais dona de mim
me lixando para o vazio
e o dissabor da vida crua
minha alma sedenta
não alimenta fomes rasas
por isso se arrebenta
ao por velas nas beiradas
iluminando túneis
onde já não há mais nada
escamas e camadas
meras decepções
é preciso tirar as vestes
é preciso tirar o pó
de velhas emoções
não dá para ser um rio
sem lua refletida
não sou tudo que vejo
sou vida
dissolvida

 



Adriane Lima




Arte by Ramon Lombarte 

Poema fora de Moda

 
Hoje a verdade é crime
a ambição sufoca
a palavra oprime
doce complacência dos mortais
diante o luxo e a luxúria
é preciso se esquivar
não pagar para ter a pele
nem de bichos , nem de homens

 
 
Adriane Lima
 
 
 
Arte by Catrin Welz Stein

O doce amargo da língua

 
Hoje me pus a ler Sartre
em total existencialismo
eu me lembrei de Saussure
e todas as questões da língua
parei na palavra saudade
nela transfiro coisas,cidades
De pessoas?
eu sinto mesmo é falta.
Quem não entende a essência
jamais saberá a diferença entre
significante e significado

 
 
Adriane Lima
 
 
 
 
Arte by Evigeny Kuztenzov

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Uma ode ao idílico




A porta de minha casa
já foi branca um dia
 
assim como as louças
as toalhas e os lençóis
 
o tempo e seus deslizes
deu a eles novas matizes
 
a vida na rotina
- ao pó nosso de cada dia







Adriane Lima




               



Arte by  Edson Campos
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