Há como não sentir nada diante da vida? até em afetos nada mais me convenço nada mais me acelera o coração o simples fato de ouvir silêncios deu-me a chance de saber-me estrondo
aqui dentro o cansaço puro deu-me olhos de desassossego
finjo não perceber a grama crescendo o ovo que se quebra no ninho o jasmim que cai após exalar perfume
onde nada é superficial, a vida segue e nada falha só eu falhei diante da vida
capricho dos deuses em rebeldia me deram doses extras de valentia e depois me encheram de covardia
então não soube mais me convecer de que tristezas podem ser esquecidas
sobrevivo a essa eterna insatisfação de ter-me endurecido demais na dor e desacreditado no poder do amor
oculta,permanecerei em livres anseios entre o cansaço dos sonhos e aspirações
não almejo mais as revoadas de borboletas nem que ninguém perceba que me dói a vida
um deserto que atravessei sozinha jogando pérolas e me perdendo pelos caminhos
Bendita seja essa transitoriedade de não saber o que escrever em meu Epitáfio...