Quando na vida me disseram que eu tinha que dançar conforme a música tomei providências entrei numa boa escola de dança aprendi de salsa a bolero desviei dos lero-lero demorei no samba rasgado e no tango premeditado hoje escolho o jazz Por isso é que sempre danço conforme a música mas,a música que eu escolho e no ritmo ,que eu quero
Faço ilha de seus pés ingenuamente subo teu corpo junto ao meu calor e respiração no
cerne das palavras fragilmente expostas busco a proteção invento
pequenos pedaços de quase nada tornam-se seguros de dia valso de
noite me salvo de dilúvios
Hoje acordei pensando o que será que a vida me reserva ? uma doença
incurável ou só uma febre amarela um
acidente notável feito protagonista de novela ver os netos correndo na
sala eu fazendo crochê e banguela surpresas boas ou nem tanto já que a
solidão é companheira em noites de insônia eu fico pensando que a vida me
deu uma bela rasteira as vezes me pego chorando sem ter motivo ou
rancor foram as escolhas que fiz amei e desamei do meu amor tive poesia
em ponta de dedos me dizem que não há mais o que fazer perdi sonhos não há
segredos é tempo passando idade avançando e o peso dos ombros me dando
medo fecho os olhos e sinto falta do passado das madrugadas cantando para
o filho adormecer do barulho das festas da minha gargalhada alta depois de
beber o violão e as serestas dos amigos e das noitadas da pia
bagunçada após os almoços de domingo e de tudo que fiz por
merecer sempre me encantei com a liberdade em cada derrota não me deixei
morrer eram outros tempos, é verdade onde no desespero eu
ressuscitava onde eu era bela e tinha vaidade minha solidão foi o grande
alarde Hoje acordei pensando o que será que a vida me reserva sei onde
errei em cada etapa sei que não fui muito de reza de muita coisa posso me
orgulhar degustei cada segundo e não tive pressa se morresse hoje iria
feliz nunca desperdicei milagres em tempos de misericórdia
Estou virando pedra rolando pelas encostas
do mundo sendo conduzida nesse ir e vir profundo estou carregada de
pessoas e pesares sou a metáfora que se pede para quebrar
Me bate
vida ... me fure não quero ser pedra quero ser concha do
mar...