sexta-feira, 30 de março de 2012
quinta-feira, 29 de março de 2012
Um dia desses
Saudade palavra tão à toa
nem tradução ela perdoa
saudade da infância é coisa boa
quintal da casa de meu avô
e minha gangorra
Sob uma parreira de uva
eu ia e voltava das nuvens
e pedia : vô mais alto, mais alto
e ele me obedecia
sabia que o céu era o meu limite
e hoje lá de cima ele me assiste
ensinando segredos de felicidade
-não ponha o medo e nem a covardia
dentro de teus dias
na gangorra da vida
um dia a gente sobe
no outro está lá em baixo
emoções se guardam em caixinhas
para rever em finais de tarde
onde o céu é furta cor
e muitas marcas de amor
revelam essa saudade
Adriane Lima
Arte by Andrei Markin
Poema do tempo
Nunca sei ao certo
o real movimento
se é recuo ou volta
esse eterno tormento
fico atada
aos velhos detalhes
nunca estabelecidos
não sei se vou ou se fico
do que nem poderiam ter sido
as imagens que passam
os silêncios que elevam
as verdades compostas
muitas vezes trazidas
pela poeira do tempo
migalhas de meia lua
em mim assim flutuam
me deixando inteira
com gosto de lua cheia
escrevo no vidro da sala
sob a embaçada porta
versos que eram tão meus
verdades que foram mortas
histórias que eram compostas
palavras que escoavam
sem ter quem as contivesse
doce loucura em vão
talvez isso explique o vazio
da solidão e do frio
daqueles que não se prendem
em rótulos
Adriane Lima
Arte by Jean Paul Avisse
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