sábado, 31 de dezembro de 2016

Os velhos olhos do mundo



Todos os dias são meus
neles eu bebo a vida
embriago-me de um calendário, só meu
onde crio sonhos, possibilidades,
crenças e tudo aquilo que me
foi ensinado, a chamar de fé
Desejei que o amor
preenchesse meus melhores
espaços e me esvaziei
Respirei fundo
ao sentir meu coração ossificado
inimaginável forma estática
para algo que me foi concebido selvagem
Todos os meus excessos, risos largos
palavras melodiosas foram se apagando
Minha alma inquieta se acomodou
Olhava tudo ao redor e me agarrava a efemeridade
suspirava aliviada ao pensar:- vai passar
Foi então que me lembrei da velha frase :“ quem teve a ideia 
de cortar o tempo e dar-lhe datas, calendários 
e assim forças para recomeçar”...
Não foi por resignação que aceitava e sorria
E sim, por acreditar que, como o tempo, eu também mudava
e todas as gaiolas de minha existência
eram habitadas por pássaros livres
que sempre retornavam felizes
por detrás das paisagens do mundo


Adriane Lima






Arte by Catrin Welz Stein

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