quarta-feira, 27 de maio de 2015

Fagulhas de uma totalidade





Minha palavra, circula sangue
nesta estrada
não há sinal de vida
antes a morte, que a ferida


viver sem ter liberdade
olhos sem dimensões
vislumbram o caminho da verdade


aonde está a direção
que dá em alguma parte ?
cedros, cidras mediterrânea
o rubro sepulcro de cada um


homens valem menos que diamantes
universo amargo e belicoso
quem fomentou a guerra
acordou a cadela dos dentes ardis
que adormecia na frágua de Gibraltar


fez do avesso seu açoite
arrancou a pele dos sonhos
explorando novas sementes
entre corpos em visagens


o mundo é amargo e portátil
se a ele cabe ter cercas
entre dois continentes


onde poderá o homem
viver com dignidade
sem fazer história
com seu próprio sangue


minha compaixão
desejará plantar flores
enquanto acreditar na filosofia
do existencialismo




Adriane Lima






Arte by  Andrea Chisesi

sábado, 23 de maio de 2015

Solidão escarlate

 
 
Há uma solidão de homem
por amar uma mulher
amante de si mesma
como quem não ama
outro alguém
 
Não ama de amor
não ama de sexo
não há falta de um
nem de outro
 
O homem está ali
a ama-la em seu peito
abrindo a janela da alma
para respirar seus defeitos
 
Chego a entender
esse jeito de homem vadio
em busca de cio
entre outras mulheres
 
deve ser para ver
se essa mulher que tanto ama
um dia se entregará
com o amor
que ele sonha
 
esquecido em alguma fronha
de um quarto qualquer
 
 
 
 
 
Adriane Lima
 
 
 
 
 
 
 
 
Arte by  Diego Dayer
 

Debruçada no vazio

 
 
O dia estava lá
pronto para ser vivido
feito para que eu entrasse nele
e usasse suas vinte quatro horas
 
e eu o matei, como diriam muitos
que correm freneticamente
eu lentamente sentei
olhei o céu infinitamente Azul
 
o Pássaro a cantar despretensioso
o Jasmim a florir benevolente
meu Gato a fazer companhia
 
eu ali tendo um traçar diário
em um só lugar
feito de solitude
sem a exatidão
dos ponteiros dos relógios
 
O dia pronto abrindo-se as pressas
para um mundo sem sentido
um tempo marcado
a outro, entre fardos
e  virtudes
 
eu ali, despretensiosamente
tropeçando em meus
próprios caminhos 
vivendo o sutil
acaso desse mundo
 
 
 
 
 
 
Adriane Lima
 
 
 
 
 
 
 
Arte by Fattah Hallah Abdel
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